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Covid-19: Catarina Martins diz que o problema da pandemia não é a vacinação das crianças

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A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, fala aos jornalistas durante uma conferência de imprensa para apresentar as conclusões da reunião da mesa nacional do partido, em Lisboa, 29 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou hoje que o problema da pandemia de covid-19 não é a vacinação das crianças, mas haver sítios do mundo onde não chegam vacinas, potenciando o aparecimento de novas variantes do vírus.

“As farmacêuticas foram financiadas com dinheiro público para desenvolver a vacina, já ganharam muito dinheiro com todas as encomendas dos países mais ricos do mundo”, afirmou, alertando: “Está mais do que na altura de garantirmos que a vacina chegue a toda a gente e que chegue aos países mais pobres.”

Catarina Martins falava aos jornalistas no Funchal, após uma reunião com o reitor da Universidade da Madeira, na sequência de uma visita de poucas horas à região autónoma.

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“O nosso maior problema neste momento com a pandemia não é a vacinação das crianças, é o facto de haver sítios do mundo onde não chegam vacinas e haver novas variantes”, disse a coordenadora do BE, numa altura em que Direção-Geral de Saúde não tinha ainda emitido qualquer recomendação sobre a vacinação de crianças entre os cinco e os 11 anos.

Na Madeira, porém, o Governo Regional (PSD/CDS-PP) já indicou que prevê começar a vacinar as 14.715 crianças entre os cinco e os 11 anos a partir de 14 de dezembro, um dia depois de receber a primeira tranche do total 25% das vacinas adquiridas por Portugal, estando previsto chegar à região cerca de 17.500 doses até ao final do ano.

“Felizmente que Portugal é uma democracia, em que a vacinação, embora seja um apelo que fazemos de segurança para todos, é também uma decisão das pessoas”, disse Catarina Martins, reforçando: “Acho que os pais e as mães poderão decidir na Madeira de acordo com o que for a opinião dos especialistas e julgo que isso será o mais sensato.”

A coordenadora do Bloco de Esquerda avisou, no entanto, que o Governo Regional já tomou “decisões contraditórias” e algumas sem “respaldo constitucional” no âmbito do combate a pandemia de covid-19.

“Felizmente Portugal é uma democracia, com todo os mecanismos de equilíbrio de poderes e com todos os mecanismos também de as pessoas decidirem”, disse, acrescentando: “Espero que, na Madeira, como em todo o país, como em todo o mundo, se aceitem as orientações da saúde.”

Catarina Martins sublinhou que o combate à covid-19 exige, acima de tudo, medidas políticas que façam com que a vacina chegue a todo o mundo e, por outro lado, advertiu que a “evidência científica é que deve dirigir as opções”.

“As variantes [do SARS-CoV-2] estão a surgir porque há muitos sítios do mundo onde não há acesso à vacina, e nem as doações que Portugal e outros países prometeram fazer chegam a tempo, nem se libertaram as patentes para países que podiam ter capacidade de produzir vacinas e de as distribuir”, disse.

E reforçou: “Vamos aguardar com a maior serenidade, com a maior confiança sobre o que dirão as autoridades de saúde sobre a vacina [administrada em crianças], mas não podemos deixar, do ponto de vista político, de voltar a alertar para a necessidade de Portugal defender a quebra das patentes, para garantir que em todo o mundo há vacinas.”

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