Restos de vítimas de um anatomista nazi descobertos em Estrasburgo

Estrasburgo. Os restos mortais de vítimas do anatomista nazi August Hirt, conservados num frasco e em tubos de ensaio e cujos investigadores desconheciam a sua existência até agora, foram descobertos recentemente no Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo, anunciou, no sábado, 18 de julho, o município num comunicado.

A descoberta tinha sido feita a 9 de julho pelo historiador Raphaël Toledano, autor de várias obras sobre o assunto, entre elas “Le Nom des 86“, um documentário realizado por Emmanuel Heyd. Com a ajuda do atual diretor do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo, o Professor Jean-Sébastien Raul, o investigador foi capaz de identificar várias peças, incluindo “um frasco contendo fragmentos de pele de uma vítima da câmara de gás ” afirmou.

Campo de Natzwiller-Struthof

O investigador também descobriu “dois tubos de ensaio contendo uma parte do intestino e do estômago de uma vítima e um registo utilizado na incineração dos corpos” no campo de concentração da Alsácia, Natzwiller-Struthof. Estes restos pertencem a várias das 86 vítimas de um projeto de “coleção de esqueletos judeus” pensado por August Hirt.

A maioria dos restos mortais, em grande parte cortados, haviam sido encontradom pelos aliados logo após a libertação de Estrasburgo em 1944, e foram rapidamente enterrados num cemitério judeu. As preparações encontradas agora tinham sido por sua vez “constituídas para documentar os crimes cometidos em Struthof a pedido de August Hirt“, disse o comunicado da cidade.

Polémica

As etiquetas identificam cada peça com precisão à qual é atribuído o número 107969, que corresponde ao número que foi tatuado no campo de Auschwitz no antebraço de Menachem Taffel, uma das 86 vítimas, tal como foi confirmado pelos arquivos de Auschwitz“, acrescentou.

A polémica em torno da existência de restos mortais de vítimas do nazismo, que há muito tempo se levantavam dúvidas ao ‘Institut de médecine légale de Strasbourg’, foi relançada em janeiro, com a publicação de um livro do médico e comentador de televisão, Michel Cymes, consagrado aos médicos dos Campos de concentração. Neste livro, Michael Cymes citou evidências de que secções anatómicas das 86 vítimas, feitas na era nazi, foram sempre conservadas no Instituto.

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