O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, disse à agência Lusa, que a comunidade portuguesa no Canadá “é um exemplo contra a febre ultranacionalista”.
“Isso de ter duas pátrias é uma coisa boa, não é uma coisa má. No momento em que um pouco por todo o mundo, há esta febre ultra nacionalista das pessoas acharem que para serem patriotas têm que denegrir a pátria dos outros”, afirmou.
De acordo com o também deputado socialista, eleito pelo círculo fora da Europa, o exemplo português “é sempre um exemplo de quão errada é essa conceção”, porque as pessoas “podem estar em todo o mundo à vontade, nos países em que estejam, sem perderem nada da sua ligação à pátria portuguesa”.
Augusto Santos Silva, esteve este sábado em Toronto, no Canadá, onde participou na cerimónia oficial do Passeio da Fama para Luso Canadianos, numa altura em que a imigração portuguesa para o país norte-americano está a assinalar o 70.º aniversário.
“São cerca de meio milhão de pessoas portuguesas no país, que têm duas características essenciais. Uma integração perfeita na sociedade que os acolhe, o Canadá, uma contribuição notável, para a economia canadiana, também para a vida pública do Canadá. Por outro lado o profundo enraizamento em Portugal, uma ligação muito forte à sociedade portuguesa, são pessoas que muitas delas têm muitas pátrias”, sublinhou.
O Passeio da Fama para Luso Canadianos, um projeto do empresário Manuel da Costa, reconheceu este sábado quatro líderes comunitários.
O professor catedrático de geografia da Universidade da Colúmbia Britânica, José Carlos Teixeira, o líder do sindicato da construção LiUNA Local 183 Jack Oliveira, a empresária e alpinista Ema Dantas e a título póstumo, o antigo presidente do Centro Cultural Português de Mississauga, Tony de Sousa, foram os distinguidos.
“Esta é uma forma de dizermos aos pioneiros muito obrigado pelo seu contributo em prol destas comunidades. Este reconhecimento é dedicado a todos os pioneiros que ajudaram a construir estas comunidades portuguesas de costa a costa”, afirmou Texeira.
Para o dirigente sindical, Jack Oliveira, “este é um dia muito especial para a comunidade portuguesa”, daí que seja importante “desfrutar as oportunidades que os pioneiros deram a estas gerações”.
“Este reconhecimento veio também [com] uma mensagem muito especial, pois quando as pessoas trabalham todas juntas, no fim há sucesso, não só para uma pessoa, mas para todos”, realçou Jack Oliveira.
Ema Dantas, a alpinista que subiu aos sete cumes mais altos do mundo, alertando para questões da saúde mental, quer inspirar outros “a não desistirem dos seus sonhos”.
A família de Tony Sousa, o ex-presidente do Centro Cultural de Mississauga, mostrou-se orgulhosa pelo trabalho no voluntariado, desde 1970.
“Tony Sousa, trabalhou em vários locais, fez parte do Centro Cultural Português de Mississauga, sempre muito orgulhoso da comunidade”, foi referido.
Foi também inaugurado o monumento “Anjo da Guarda”, da autoria do escultor Pedro Neves, junto ao Passeio da Fama para Luso Canadianos, na praça Camões.
“Esta edição está focada nos 70 anos de imigração. Para o futuro da nossa comunidade é uma lembrança que vai perdurar para sempre na nossa história”, declarou Manuel da Costa.
A obra foca-se nos “70 ano de Imigração”, sendo “composta por sete pedras de mármore diferentes”, adiantou Pedro Neves.
As celebrações dos 70 anos do Canadá prosseguem hoje, na praça da Câmara Municipal de Toronto, a partir das 11:00 (16:00 em Lisboa), até ao final do dia, onde estão previstos concertos com Pedro Abrunhosa e Bárbara Bandeira, além de artistas locais.



