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Conselheiro demite-se por ter admitido papel da defesa aérea em Dnipro

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O conselheiro presidencial ucraniano que admitiu a possibilidade de a defesa aérea da Ucrânia ter causado a destruição de um edifício residencial em Dnipro apresentou hoje a demissão, noticiou a agência Ukrinform.

Aleksey Arestovich anunciou a sua decisão na rede social Facebook e publicou cópia da carta dirigida a Andriy Yermak, chefe de gabinete do Presidente Volodymyr Zelensky.

“Escrevi uma carta de demissão. Quero dar um exemplo de comportamento civilizado: um erro fundamental, que significa demissão”, justificou Arestovich, citado pela agência ucraniana.

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A Ukrinform não referiu se o pedido de demissão foi aceite.

Um míssil Kh-22 russo atingiu um edifício residencial em Dnipro (sudeste) no sábado, provocando pelo menos 44 mortos e 22 desaparecidos, segundo um novo balanço divulgado hoje pelo presidente da câmara local, Borys Filatov.

Pouco depois do ataque, Arestovich disse num canal YouTube de um advogado russo que o míssil poderia ter sido abatido pela defesa aérea ucraniana e caído, por isso, no prédio, quando o alvo seria uma instalação elétrica próxima.

Ressalvou, no entanto, que a culpa da Rússia era inequívoca, porque “se não houvesse um ataque russo, tal tragédia não teria acontecido”.

Esta possibilidade foi negada pela força aérea ucraniana, que alegou não ter armas capazes de abater os Kh-22.

Trata-se de mísseis antinavio de longo alcance desenvolvidos na antiga União Soviética, de acordo com o Instituto para o Estado da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos.

No dia seguinte ao do ataque, Arestovitch justificou as suas declarações com o cansaço e disse que tinha apenas referido uma possibilidade que lhe fora transmitida por um antigo elemento das forças de defesa aérea de Dnipro.

Mas as suas declarações foram aproveitadas pela Rússia para negar responsabilidade pelo ataque.

O porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, invocou, na segunda-feira, “as conclusões de alguns representantes do lado ucraniano”, referindo-se a Arestovitch, para insistir que a responsabilidade era da defesa aérea da Ucrânia.

“Isto causou indignação na sociedade ucraniana”, segundo a Ukrinform.

A demissão de Arestovitch também foi noticiada pela agência russa TASS, que a atribuiu às duras críticas de que foi alvo.

Segundo a TASS, um deputado ucraniano anunciou, na segunda-feira, o início de uma recolha de assinaturas para exigir a demissão de Arestovitch, acusando o conselheiro presidencial de traição.

O ataque em Dnipro foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e valeu a Moscovo renovadas acusações de crimes de guerra por visar alvos civis.

Desconhece-se o número exato de baixas civis e militares na guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro do ano passado, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm alertado que será elevado.

As Nações Unidas confirmaram a morte de cerca de sete mil civis desde que as tropas russas invadiram o país vizinho.

As informações sobre a guerra divulgadas pelas duas partes não podem ser verificadas de imediato de forma independente.

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