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Chade: Pelo menos 60 mortos em disparos de forças de segurança sobre manifestantes

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As forças de segurança chadianas abriram fogo hoje sobre manifestantes antigovernamentais nas duas maiores cidades do país, matando pelo menos 60 pessoas, disse o porta-voz do governo e um funcionário da morgue.

As autoridades impuseram um recolher obrigatório após a violência, decorrrente de manifestações na nação centro-africana contra a prorrogação de dois anos do poder do líder interino Mahamat Idriss Deby.

A agitação de hoje no Chade não tem precedentes, nem durante o anterior regime do pai de Deby, que governou mais de três décadas até ao seu homicídio no ano passado.

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A França, a União Africana e outros condenaram rapidamente a repressão de segurança contra os manifestantes.

Samira Daoud, directora regional da Amnistia Internacional para a África Ocidental e Central, apelou às autoridades chadianas “para cessarem imediatamente o uso excessivo da força contra os manifestantes”.

“As autoridades devem tomar medidas imediatas para investigar e trazer à justiça os responsáveis por mortes ilegais”, referiu.

O porta-voz do governo do Chade, Aziz Mahamat Saleh, disse que 30 pessoas morreram na capital, Ndjamena.

Todavia, os organizadores da manifestação apontam para mais morte, pelo menos 40, e mencionam um grande número de feridos baleados. Não houve qualquer organismo independente a fornecer dados sobre os números copntraditórios dos balançoa.

Outros 32 manifestantes foram mortos na segunda maior cidade do Chade, Moundou, de acordo com um funcionário do necrotério da cidade. O funcionário, que falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto, disse que mais de 60 pessoas foram feridas.

Outros protestos foram realizados nas cidades do sul do Chade, Doba e Sarh.

Estes foram os protestos antigovernamentais quebcausaram mais mortes desde que Deby assumiu o poder, após ohomicídio do seu pai, há 18 meses.

Fontes oficiais disseram que o presidente Idriss Deby Itno foi morto por rebeldes enquanto visitava as tropas chadianas no campo de batalha no norte do país, em Abril de 2021.

No principal hospital de referência da capital Ndjamena, médicos esgotados atendiam dezenas de pessoas com ferimentos de bala. Alguns dos feridos foram levados para o Hospital Liberty por veículos do exército e deram sinais de terem sido torturados, segundo testemunhas.

As testemunhas dizem que os manifestantes começaram a assobiar às O3:00 locais em toda a capital. A polícia disparou gás lacrimogéneo contra a multidão, que continuou a avançar e o número foi aumentando, após o que as forças de segurança abriram fogo, deixando os manifestantes a lutar para recolher os mortos do local enquanto era lançado gás lacrimogéneo.

Entre os mortos encontrava-se um jornalista chadiano, Narcisse Oredje, que trabalhava para a rádio CEFOD e foi atingido por uma bala.

A Amnistia Internacional disse que não foi a primeira vez que as forças de segurança chadianas dispararam sobre civis, citando dois outros incidentes em 2022 e 2021.

Tais manifestações públicas de dissidência não foram ouvidas durante o governo do pai de Deby, mas várias manifestações foram realizadas desde que o seu filho se tornou líder interino.

Mahamat Idriss Deby foi declarado chefe de estado após a morte do seu pai, em vez de seguir a linha de sucessão da constituição chadiana. Os partidos políticos da oposição na altura consideraram a tomada do poder por Mahmat Idriss Deby “um golpe de Estado”, mas mais tarde concordaram em aceitá-lo como líder interino durante ano e meio.

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