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“Los reyes del mundo” de Laura Mora vence Concha de Ouro no Festival de San Sebastian

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O filme “Los reyes del mundo”, realizado pela colombiana Laura Mora e que relata a busca de cinco crianças de rua de Medellín pela sua terra prometida, ganhou a Concha de Ouro do Festival de Cinema de San Sebastián.

Durante a gala de encerramento relativa à 70.º edição do festival, realizada esta noite no Palácio Kursaal, Mora confessou que este filme era “muito difícil de fazer” e considerou o prémio “um elogio” que vem depois de quatro meses particularmente complicados em que considerou a possibilidade de desistir da realização de filmes.

Num país castigado pela violência como a Colômbia, também manifestou a sua confiança de que “o filme servirá para estabelecer um diálogo e ter a possibilidade de pensar num mundo mais justo”.

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Mora é a terceira mulher a ganhar a Concha de Ouro consecutiva, depois da romena Alina Grigore, com “Lua Azul” (2021), e da georgiana Dea Kulumbegashvili, com “Começo” (2020), e a segunda latino-americana na história, depois de “Pelo malo”, de Mariana Rondón, em 2013.

A Concha de Prata para Melhor Realizador foi para o realizador japonês Genki Kawamura por “Cem flores”, um filme que aborda a doença de Alzheimer de uma forma poética e delicada, inspirado na história da sua avó, que morreu da doença, e protagonizado pelo carismático Mieko Harada, que trabalhou em dois filmes de Akira Kurosawa.

O Prémio Especial do Júri foi para o filme americano “Runner”, a longa de estreia de Marian Mathias, um filme melancólico sobre a solidão e a frágil esperança de ligação humana no meio da paisagem árida do Midwest americano, que o júri elogiou pela sua “ambição no compromisso narrativo” e pelo seu poder.

A Concha de Prata para Melhor Interpretação, que pelo segundo ano consecutivo não faz distinção de género, foi atribuída ex aequo à espanhola Carla Quílez, por “La maternal”, de Pilar Palomero, e ao francês Paul Kircher – filho dos atores Irene Jacob e Jeremy Kircher – por “Le lycéen”, de Christophe Honoré.

Quílez, uma debutante de 14 anos que Palomero descobriu através do seu perfil como bailarina urbana na rede social Instagram, interpreta uma adolescente rebelde numa situação precária que engravida e entra num centro para menores em situações semelhantes.

O prémio de melhor interpretação secundária, igualmente sem distinção de género, foi atribuído à argentina Renata Lerman, de 12 anos, filha do realizador Diego Lerman, pelo seu desempenho no filme “El suplente”, que aborda a educação e a marginalidade.

O júri também homenageou a cinematografia do filme chileno “Pornomelancolía”, de Manuel Abramovich.

O prémio de melhor argumento foi atribuído ao filme chinês “Uma Mulher”, escrito e realizado por Wang Chao, com Dong Yun Zhou também no argumento, uma história de autoaperfeiçoamento feminino durante a Revolução Cultural, baseada no romance autobiográfico “Sonho”, do escritor Zhang Xiu Zhen.

“Argentino 1985”, de Santiago Mitre, venceu o Prémio do Público para o Melhor Filme.

Portugal participou no festival com o filme “Great Yarmouth – Provisional Figures”, do realizador Marco Martins, um projeto de longa duração criado com a comunidade portuguesa que vive em Great Yarmouth, na costa este de Inglaterra, e que começou por ser uma peça de teatro, estreada em 2018 no Festival de Norfolk e Norwich, no Reino Unido, e meses depois em Portugal.

Marco Martins propôs-se retratar a atualidade política e a dinâmica pessoal e comunitária entre portugueses e ingleses e “constrói uma narrativa sobre a decadência desta cidade costeira inglesa”, refere a produtora Uma Pedra no Sapato.

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