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Chega recusa “fazer do racismo um tema em Portugal”

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O presidente do Chega, André Ventura, fala à imprensa sobre a última sessão temática do ano em relação aos custos de energia, na sede do partido, em Lisboa, 02 de agosto de 2022. Participam na sessão, para além dos deputados, vários especialistas na área jurídica, energética e económica, nomeadamente alguns responsáveis empresariais. TIAGO PETINGA/LUSA

O presidente do Chega, André Ventura, recusou hoje que se faça “do racismo um tema em Portugal”, a propósito dos alegados insultos aos filhos de atores brasileiros, e reiterou que a sociedade portuguesa “não é racista”.

“Nós estamos a dar importância a isto porque eram atores brasileiros, mas todos os dias há pessoas, há portugueses fora, há brasileiros dentro, há africanos dentro, há ucranianos dentro, há indianos dentro que têm situações nas suas vidas que são menos positivas, isso não é necessariamente racismo nem xenofobia”, defendeu o líder do Chega.

Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, Ventura foi questionado sobre a denúncia da atriz, modelo e apresentadora brasileira Giovanna Ewbank de que os seus filhos foram vítimas de racismo num restaurante na Costa de Caparica.

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Uma família de turistas angolanos que estavam no local também terá sido vítima de racismo por parte de uma mulher alcoolizada, que foi detida pelas autoridades, mas que, entretanto, foi libertada.

“O que me chegou em termos de informação é que aquela senhora como se meteu com aqueles brasileiros, já se tinha metido com uma série de outras pessoas antes, e, portanto, não tinha que ver sequer diretamente com isso. Mas eu não sei, não sabemos”, afirmou o presidente do Chega com base “naquilo que circulou” e em “vídeos na internet” que viu, apontando que o caso deve agora ser investigado pelas autoridades.

O presidente do Chega indicou que o partido mantém a sua posição de que Portugal não é um país racista.

“Eu acho que não devemos fazer do racismo um tema em Portugal, porque eu acho que a sociedade portuguesa não é racista”, defendeu, apontando que “esse não é um problema político no país”.

E referiu que o Presidente da República “também o disse, disse que Portugal não é um país racista”, mas que “há setores da sociedade mais propensos ao racismo”.

“Nós temos hoje comunidades portuguesas pelo mundo inteiro espalhadas e Portugal que se tem tornado cada vez mais um país de imigração também, com comunidades brasileiras muito vastas, agora com comunidades ucranianas, há muitos anos com comunidades africanas e afrodescendentes”, elencou André Ventura.

O deputado do partido de extrema-direita considerou também que “só vai ser mau para Portugal escalar isto”.

“Nós devemos manter a mesma firmeza que temos tido, nós somos uma sociedade de iguais em que todos têm de ter direitos, mas todos têm que ter deveres também, sejam eles brasileiros, portugueses de origem, ciganos, afrodescendentes, e é isso que temos defendido, deveres iguais para todos”, acrescentou.

Referindo também a sua intervenção, há duas semanas, no debate sobre a revisão da lei de estrangeiros – que levou a um momento de tensão com o presidente da Assembleia da República e ao abandono do hemiciclo pelos deputados Chega – André Ventura defendeu que “não tem nada a ver nem com xenofobia nem com racismo, tem a ver com um país que tem de ter controlo sobre as suas fronteiras” perante “imigração ilegal” e “as consequências que isso pode ter, sejam eles de que país forem”.

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