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Forças russas intensificam ataques para dominar o Donbass

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As forças russas bombardearam hoje várias cidades no Donbass – região onde intensificam os ataques para a tentar conquistar por completo – incluindo Kramatorsk, onde pelo menos um civil foi morto, segundo as autoridades locais.

Em Kramatorsk, capital da parte do Donbass ocupada pelos ucranianos, a explosão provocou uma cratera num pátio entre um hotel e prédios de apartamentos, onde repórteres da agência France Presse encontraram o corpo de uma pessoa morta, bem como dois carros em chamas.

O presidente da Câmara de Kramatorsk, Oleksandr Goncharenko, denunciou um ataque aéreo contra a sua cidade, que provocou várias vítimas, pedindo à população para se manter em abrigos.

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Este “ataque deliberado contra civis provocou uma morte e seis feridos”, informou o governador da província de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, na rede social Telegram, clarificando que os números eram provisórios e que “seis edifícios foram danificados, incluindo um hotel e um edifício residencial”.

Os russos – que avançaram nas últimas semanas no Donbass, o objetivo prioritário desde a retirada das proximidades de Kiev no final de março – afirmam ter assumido o controlo total da província de Lugansk.

Mas o governador da província de Lugansk, Sergui Gaidai, garante que as forças russas “ainda não penetraram na região”, acusando-as de estarem a alistar à força os habitantes das cidades de Severodonetsk e Lyssytchansk, sob seu controlo, prometendo-lhes trabalho.

As forças de Moscovo estão agora a tentar conquistar a província de Donetsk, para ocupar todo o Donbass, que os separatistas apoiados por Moscovo controlam parcialmente desde 2014.

Pavlo Kyrylenko relatou pelo menos sete civis mortos na quarta-feira por vários lançadores de artilharia e foguetes, em várias localidades.

Nesta província, Sloviansk e a cidade gémea Kramatorsk são considerados os próximos alvos das forças russas no seu plano de conquistar o Donbass, ao fim de quatro meses e meio de conflito.

Na terça-feira, foguetes russos atingiram e incendiaram parcialmente e destruíram um mercado no centro de Sloviansk, matando pelo menos duas pessoas.

Na quarta-feira, o prefeito de Sloviansk, Vadim Liakh, anunciou que a evacuação da cidade, incentivada pelas autoridades locais, estava “em curso”.

Na quarta-feira, na cidade de Sloviansk ainda permaneciam 23.000 das cerca de 110.000 pessoas que ali habitavam antes do conflito, segundo as autoridades locais, que anunciaram 17 mortos e 67 feridos desde o início das hostilidades.

No sul, os russos ainda estão a bombardear a região de Mykolaiv e os combates acontecem nos arredores da cidade de Kherson, que ocupam desde os primeiros dias da guerra e onde tentam impedir os contra-ataques ucranianos, segundo Kiev.

Hoje, o Exército ucraniano anunciou que tinha recuperado o controlo da Ilha das Serpentes, no Mar Negro, depois de se ter rendido, alguns dias antes, após a retirada das forças russas deste pequeno território.

Por sua vez, Moscovo reivindicou ter realizado um ataque nessa zona, com “mísseis de alta precisão”, matando alguns dos soldados ucranianos que foram ali colocar uma bandeira, fazendo com que os sobreviventes fugissem.

Para alguns analistas estrangeiros, com esta estratégia a Rússia pode estar a aliviar temporariamente a sua ofensiva no leste da Ucrânia, enquanto as suas forças militares tentam recobrar forças para uma nova ofensiva.

“As forças russas provavelmente vão limitar-se a ações ofensivas de escala relativamente pequena, enquanto tentam estabelecer condições para operações ofensivas mais significativas, para reconstruir o poder de combate necessário para metas mais ambiciosas”, disse o Instituto para o Estudo da Guerra, um ‘think-tank’ de Washington.

Uma declaração de hoje do Ministério da Defesa da Rússia parecia confirmar essa avaliação, informando que as unidades militares russas envolvidas em combate na Ucrânia estão a ganhar tempo para descansar.

“As unidades que realizaram missões de combate durante a ‘operação militar especial’ estão a tomar medidas para recuperar a capacidade de combate. Os militares têm a oportunidade de descansar, receber cartas e encomendas de casa”, dizia o comunicado, citado pela agência de notícias estatal russa Tass.

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