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Surfistas e cientistas dão ‘nova vida’ à floresta de algas em Peniche

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Natalie Fox, responsável do projeto ReGeneration Surf de reflorestação de algas em Peniche, 31 de maio de 2022. Projeto da ReGeneration Surf, vencedor de uma bolsa da Liga Mundial de Surf (WSL), com o objetivo de promover a recuperação das florestas marinhas de macro algas, juntando informação, investidores e especialistas. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DO DIA 02 DE JUNHO DE 2022). MIGUEL A. LOPES/LUSA

As primeiras algas com crescimento controlado em laboratório já foram lançadas ao mar em Peniche, depois de dois meses no ‘berço’, com atletas, ambientalistas e cientistas unidos em torno do projeto ReGeneration Surf.

“É algo que nunca foi feito, é um projeto piloto e ainda em fase experimental, mas foi uma grande experiência reunirmo-nos há uns meses para aprender sobre o processo de reflorestação de algas e, agora, ativamente, fazer essa reflorestação, colocando as algas no oceano”, salientou Natalie Fox, coordenadora do ReGeneration Surf, projeto apoiado pela Liga Mundial de Surf (WSL).

Foi na Prainha de São Pedro, junto ao Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche, que surfistas e ambientalistas pegaram nas pranchas e foram a remar até ao sítio escolhido para depositar as pequenas algas no fundo do mar.

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Do Porto de Peniche, os cientistas arrancaram de barco até ao ponto de encontro, entregando o ‘tesouro’ aos que já os esperavam, fazendo um círculo de celebração, ou não fosse este o primeiro depósito realizado.

“Eu fiquei ‘super’ inspirado com este projeto desde o princípio, por poder acompanhar o crescimento do ‘kelp’ [algas] e, hoje [segunda-feira], chegar o dia em que finalmente libertámos o ‘kelp’ no mar. É ‘super’ inspirador ver que há um trabalho conjunto, que não é só dos cientistas ou dos biólogos, ou dos surfistas locais, é uma junção para um bem maior”, realçou o surfista profissional Miguel Blanco.

As sementes das algas são apanhadas no mar e levadas para o laboratório do MARE de Leiria, onde são criadas durante dois meses no ambiente ideal para o seu crescimento, e ficam logo ‘coladas’ à gravilha para não se perderem no caminho para casa.

A lógica é simples: aumentar a probabilidade de sobrevivência das ‘pequerruchas’, e assim ajudar à regeneração da floresta de algas em Peniche.

“Temos de acordar, é agora, estamos a poluir cada vez mais a natureza e temos de acreditar num mundo melhor”, lançou a ‘big rider’ (surfista de ondas gigantes) Joana Andrade, apontando para a importância das algas marinhas no ecossistema, bem como o seu potencial económico, por exemplo, para fins medicinais.

E acrescentou: “Dizemos que é o planeta Terra, mas devia ser ao contrário, devia ser o planeta Oceano, porque há mais mar do que terra. E nós somos 80% de água, portanto, quase toda a vida vem do oceano e temos de cada vez cuidar mais da nossa casa, que é o nosso planeta”.

Nem o tempo cinzento, nem o mar picado pelo vento sul assustaram os participantes, entusiasmados por darem o seu contributo para uma boa causa.

“Achei espetacular, sinceramente. No fundo, é o equivalente a plantar uma árvore. E estar neste início é realmente muito especial”, sublinhou o ‘big rider’ João Macedo.

Com a ‘encomenda’ entregue com sucesso, os participantes foram visitar as instalações onde já se desenvolve a próxima geração de algas, e que ficam localizadas mesmo ao lado do Porto de Peniche.

“Agora lançámos as algas marinhas ao mar, mas há todo um procedimento antes disso, que passa pela preparação da gravilha, e é nisso que entra o MARE de Leiria. Estamos aqui em Peniche e damos todo esse apoio científico”, afirmou o investigador João Franco.

O projeto ReGeneration Surf é uma coligação de quatro organizações ambientalistas (Mossy Earth, Sea Forester, Oceans and Flow e Zero Waste Lab), parceiros da campanha We Are One Ocean (Somos Um Oceano) da WSL, e é um dos cinco projetos a nível mundial que estão a ser apoiados financeiramente pela entidade.

“Escolhemos o ReGeneration Surf porque a sua proposta está alinhada com todos os três pilares ambientais da WSL, e ficámos curiosos com a colaboração dentro do projeto entre quatro organizações inspiradoras, sob a liderança da ReGeneration Surf. Também apreciámos a proximidade com o nosso evento do circuito mundial em Portugal [na Praia de Supertubos]”, revelou Emily Hofer, diretora executiva da WSL PURE (organização sem fins lucrativos da gestora dos circuitos profissionais de surf), em respostas escritas enviadas à Lusa a partir da Califórnia, nos Estados Unidos.

Por agora, é altura de desejar boa sorte a todos os envolvidos, e muita saúde às algas bebés.

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