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Washington afasta-se de projeto de gasoduto traçado por Chipre, Israel e Grécia

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A construção de um gasoduto no Mediterrâneo oriental para fornecer à União Europeia (UE) uma alternativa ao gás russo levaria demasiado tempo e seria demasiado dispendiosa, disse hoje em Nicósia a “número três” da diplomacia norte-americana.

O projeto EastMed anunciado em 2016 e sujeito, em janeiro de 2020, a um acordo “histórico” entre Israel, Chipre e Grécia, visa ligar os campos de gás ao largo do Estado hebraico e da ilha cipriota à Europa.

A conclusão deste gigantesco projeto, com um custo de 6.000 milhões de euros, está prevista para 2025, mas ainda não foi garantido qualquer financiamento.

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O gasoduto, apoiado fortemente pela anterior administração norte-americana, então liderada pelo Presidente Donald Trump, parece já não ser recebido com entusiasmo nos Estados Unidos.

“Consideramo-lo demasiado caro, não economicamente viável e levará muito tempo”, resumiu a subsecretária de Estado para os Assuntos Políticos dos Estados Unidos, Victoria Nuland, após uma reunião em Nicósia com o Presidente cipriota, Nicos Anastasiades.

“Quando pensamos em hidrocarbonetos, tanto num contexto norte-americano como europeu, esperamos uma transição rápida, e francamente, não temos 10 anos para esperar. Portanto, o que procuramos são outras opções que nos podem dar mais gás, mais petróleo com um curto período de transição”, acrescentou.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, o principal fornecedor de gás da UE, torna crucial a procura por alternativas aos hidrocarbonetos russos, segundo frisou a representante.

“Os países da região compreenderam que depender do petróleo e do gás russos é uma aposta muito má”, vincou Nuland, acrescentando que estes países também querem uma transição para uma energia mais verde.

No entanto, Washington continua a apoiar outros projetos que envolvem a Grécia, Chipre e Israel, tais como o EuroAsia Interconnector, de acordo com Nuland.

Este cabo elétrico subaquático de 1.208 quilómetros vai ligar o Chipre à Grécia e a Israel e permitirá à ilha mediterrânica, membro da UE, sair do seu isolamento energético, com um custo total de 2,5 mil milhões de euros.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.611 civis, incluindo 131 crianças, e feriu 2.227, entre os quais 191 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,3 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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