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Chaves usa calor da água para resolver condensação do Museu das Termas Romanas

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O Museu das Termas Romanas abre terça-feira, em Chaves, depois de solucionada a condensação que afetava o edifício com recurso à energia geotérmica da água termal que era precisamente a causa do problema de humidade.

“A causa foi a solução. Aquilo que era o problema foi a solução”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz.

As termas medicinais romanas são um monumento que conta uma história de 2000 anos e foi identificado em 2005 durante a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, em pleno centro da cidade de Chaves.

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Depois da construção do edifício que cobre o achado arqueológico foi detetado um problema de condensação, de humidade, do espaço, devido à nascente de água quente.

Nuno Vaz, eleito pela primeira vez pelo PS em 2017, explicou que, no seu primeiro mandato, o objetivo foi “encontrar uma solução técnica” que fosse “segura” e também “sustentável” com vista à resolução de um problema que poderia afetar o próprio monumento histórico.

O autarca explicou que a solução então herdada revelou uma “fatura energética elevada”, a rondar os 50 mil euros por ano, e insuficiente para assegurar a remoção do vapor de água emitido pelas águas termais e para prevenir o risco de ocorrência de condensações.

A solução foi encontrada com a ajuda do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) depois de um pedido de avaliação ao projeto e ao espaço, e permite mitigar os problemas decorrentes da existência de água a 73 graus no seu interior.

“Numa cidade com energia geotérmica a solução foi construir uma captação com cerca de 70 metros de profundidade onde captamos o fluido termal, que é encaminhado para um permutador de calor que vai fornecer energia a radiadores que emanam temperatura ambiente”, explicou Rui Nogueira, engenheiro de minas que acompanha o projeto.

A solução passa pelo aquecimento do edifício para o manter a temperatura fora do ponto de orvalho, do ponto de condensação, fazendo-se ainda a ventilação naturalmente, através de portas obturadoras e saídas de ar na cobertura.

Rui Nogueira destacou o reaproveitamento dá água termal, a preservação ambiental e a poupança energética “de 300 a 400 quilowatts-hora”.

Chaves tem em curso um projeto de aproveitamento da energia geotérmica da água termal para aquecer edifícios públicos e privados.

“A água é, de facto, o elemento central, a pedra angular de todas as histórias que nos conduzem até aqui”, salientou Nuno Vaz.

Segundo o autarca, desde o início do processo, aquando da descoberta das termas romanas, já terão sido aplicados entre “cerca de 3,2 a 3,5 milhões de euros” neste projeto.

Falta agora, salientou, encontrar uma solução para a cobertura do museu e que poderá passar pela criação de um jardim que, provavelmente, “vai fazer apelo aos jardins romanos”.

O balneário terapêutico romano é um monumento ficou “congelado no tempo”, depois de um sismo que há cerca de 17 séculos provocou a derrocada do edifício das termas romanas na zona onde é hoje Chaves.

Foi descoberto em 2005 e, ao longo destes anos, foram efetuadas as escavações que revelaram duas grandes piscinas, mais sete de pequenas dimensões e ainda um complexo sistema hidráulico de abastecimento às estruturas e que ainda hoje funciona.

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