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Produtores de leite e de carne da ilha Terceira sairam à rua em protesto

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Manifestação pelo aumento do preço do leite, da carne e pela valorização de todo o setor agrícola, uma iniciativa de um grupo de produtores, com o apoio da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, 11 de novembro de 2021. ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA

Cerca de uma centena e meia de carrinhas e tratores agrícolas interromperam esta sexta-feira o trânsito em Angra do Heroísmo, nos Açores, numa marcha lenta em protesto pelo preço pago ao produtor pelo leite e pela carne.

“Tem de haver uma sensibilidade de perceber que suportamos baixas do preço de leite até um certo ponto. Neste momento, não conseguimos suportar mais”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), José António Azevedo.

A manifestação, que durou várias horas, saiu zona industrial de Angra do Heroísmo, por volta das 11:00 (12:00 em Lisboa) e percorreu a periferia da cidade, em ritmo lento, com um buzinão.

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Ao todo, contavam-se perto de uma centena e meia de viaturas. Os tratores agrícolas deixaram as pastagens e saíram à rua, com tanques e atrelados, decorados com cartazes.

“O futuro dos agricultores está em risco”, “exigimos um preço justo à produção” e “é ridículo vender leite mais barato que água” eram algumas das palavras de ordem que se podiam ler.

Os motivos do descontentamento foram explicados à porta da fábrica de leite de maior dimensão ilha.

“Queremos um preço justo à produção. Queremos uma valorização daquilo que produzimos. Está aqui em causa a economia da região e da ilha Terceira. Está em causa a integração dos jovens no setor. Ninguém quer integrar um setor que não seja rentável”, sublinhou José António Azevedo.

O preço base do litro de leite à produção na ilha Terceira é de 25 cêntimos, incluindo o aumento de cerca de um cêntimo anunciado no início do mês pela União das Cooperativas de Laticínios Terceirense (Unicol).

Os produtores alegam que o valor não compensa o aumento dos fatores de produção (combustíveis, rações, cereais, entre outros) “na ordem dos 25 a 30%”.

“Até o próprio leite na prateleira está mais caro. Ao produtor é que os aumentos são residuais. Aumentos de 3,5%? Como é que se faz face a compras na ordem dos 25 a 30% de inflação, de janeiro até setembro?”, questionou o presidente da AAIT, alegando que não houve um “acompanhamento real”, tanto no preço do leite como da carne.

Para José António Azevedo, a adesão ao protesto comprova a “indignação” dos produtores de leite e de carne da ilha Terceira.

“Não tem os produtores todos da ilha Terceira, mas tem uma grande massa”, frisou, ressalvando que os produtores têm “muito receio da indústria”, por haver praticamente um “monopólio”.

Questionado sobre se a indústria tinha entrado em contacto com os produtores, na sequência do anúncio da manifestação, José António Azevedo disse que não houve até agora tentativa de diálogo.

“A indústria da ilha Terceira não fala com as associações agrícolas, infelizmente, e também não fala abertamente com os produtores de leite da ilha Terceira, apenas com os seus delegados”, apontou.

O presidente da Associação de Jovens Agricultores Terceirenses (AJAT), Anselmo Pires, defendeu que, “face aos custos que já aumentaram e àqueles que se adivinham”, o aumento deve ser no mínimo “de cinco cêntimos no preço do leite e cerca de 10 cêntimos no quilo da carne”.

“A produção está esmagada”, frisou, alegando que “as grandes superfícies comerciais que esmagam as indústrias” em Portugal, que por sua vez esmagam a produção, numa “guerra comercial”.

O produtor agrícola considerou que tem de haver diálogo com todas as partes e que o Governo Regional “também tem de ser chamado nesta equação”.

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