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Catarina Martins diz que atuação do Governo na venda de barragens da EDP é “incompreensível”

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A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins (C), acompanhada pelo presidente do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), Pedro Dominguinhos (E), durante uma visita às instalações da Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE), no IPS de Setúbal, 06 de julho de 2021. RUI MINDERICO/LUSA

A líder do BE defendeu hoje que a EDP deve ser obrigada a pagar o imposto de selo pela venda de seis barragens do Douro e considerou “incompreensível” a atuação do Governo, neste processo sob investigação do Ministério Público.

“O Bloco de Esquerda, desde a primeira hora, denunciou o negócio da EDP, em que é incompreensível a atuação do Governo. Parece-nos que, no Ministério do Ambiente, existe às vezes mais pressa na defesa de alguns grandes interesses económicos do que nas questões dos recursos naturais e do interesse público”, disse Catarina Martins.

“Esperamos que a atuação do Ministério Público possa esclarecer tudo o que aconteceu, que possa retirar consequências, até porque registamos que, até agora, o Governo nunca foi capaz de explicar as suas decisões no âmbito deste negócio”, acrescentou.

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Catarina Martins, que falava aos jornalistas durante uma visita à Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, comentou desta forma as buscas realizadas hoje, pelo Ministério Público e pela Autoridade Tributária, por suspeitas de alegada fraude fiscal na venda de um portefólio de seis barragens à empresa francesa Engie.

“Do ponto de vista político, o que aconteceu é inaceitável. A EDP deve pagar o imposto e o imposto deve servir a população transmontana, como a Assembleia da República legislou. Do resto, aguardamos a investigação do Ministério Público”, acrescentou a líder do BE, reiterando a ideia de que o Governo ainda não deu uma explicação cabal sobre esta matéria.

“O Governo nunca foi capaz de explicar as suas decisões, nunca foi capaz de explicar como é que autorizou o negócio da transmissão da concessão das barragens com tão poucas condições e sem obrigar sequer a EDP a pagar os impostos devidos”, sublinhou.

Para Catarina Martins, é fundamental “que haja uma investigação, que se saiba tudo e que todas as consequências sejam retiradas”.

Em causa está a venda por 2,2 mil milhões de euros de seis barragens da EDP na bacia hidrográfica do Douro (Miranda, Bemposta e Picote Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro) a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova, concluída em 17 de dezembro.

O Bloco de Esquerda (BE) tem defendido que, à luz deste negócio, deviam ter sido pagos 110 milhões de euros em Imposto do Selo, o que é contestado pela EDP.

A EDP considerou, em abril, que a venda da concessão das barragens ao consórcio da Engie não beneficiou de isenção do Imposto do Selo prevista na lei desde 2020, porque a forma como a operação decorreu não está sujeita ao imposto.

“A operação não está sujeita ao Imposto do Selo [IS] por não enquadrar na previsão normativa da verba 27.2 da TGIS [Tabela Geral do Imposto do Selo]”, referiu a EDP, apontando que, “não havendo incidência, não se aplicarão as normas de isenção”.

O entendimento da empresa presidida por Miguel Stilwell d’Andrade consta das respostas da EDP às 17 questões do Bloco de Esquerda e de outras consensualizadas pela comissão parlamentar de Ambiente, num total de 21, sobre o negócio da venda da concessão de seis barragens no Douro.

A diretora-geral da Autoridade Tributária (AT), Helena Borges, afirmou, em 14 de abril, perante os deputados da Comissão do Orçamento e Finanças, que, independentemente da discussão pública, a AT teria sempre analisado a operação de venda de barragens pela EDP à Engie.

Em resposta ao deputado do Partido Socialista João Paulo Correia, Helena Borges referiu que “sim, a Autoridade Tributária e Aduaneira está a tratar deste tema nas etapas que são próprias” e que “sim”, teria “sempre tratado esta operação independente da sua discussão pública”.

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão, também ouvido pelos deputados, em março, afirmou que “o tempo de intervenção em matéria fiscal do lado do Estado começa agora”, e reiterou que a AT tem “total autonomia” para atuar, sublinhando que “o Governo não interfere na atividade inspetiva da AT”.

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