Início Desporto Poker Fenómeno do poker: depois de Portugal, chegou a vez do Luxemburgo?

Fenómeno do poker: depois de Portugal, chegou a vez do Luxemburgo?

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O poker ainda é um jogo pouco popular no Luxemburgo, principalmente se tivermos em conta a relevância de alguns dos principais novos centros do poker na Europa. Em Portugal, o jogo de cartas já se tornou num fenómeno de popularidade, atraindo a atenção de milhares de jovens utilizadores e de uma vibrante comunidade de jogadores profissionais.
O crescimento do poker em Portugal começou em 2015, quando o Estado Português emitiu um novo decreto-lei relativo aos jogos de sorte e azar através da Internet. A criação de novos modelos de licenciamento atraiu grandes marcas internacionais ao país e ajudou à difusão do jogo, que é predominantemente jogado online.

O crescimento do setor levou ao aparecimento de uma nova profissão, típica de um século 21 altamente digitalizado: a do jogador profissional de poker. Os portugueses parecem ter um talento nato para o jogo e têm vindo a conquistar cada vez mais prémios em torneios internacionais. Mas a pequena comunidade de jogadores online de Luxemburgo também já tem começado a “dar cartas” no mundo do poker.

Existem bons indícios para o futuro do poker luxemburguês

No Luxemburgo, jogadores profissionais de poker ainda são uma raridade, mas a tendência tem vindo a mudar. Em 2020, pelo menos dois jogadores de poker do Luxemburgo conseguiram destacar-se no panorama internacional. Um deles foi Sihao Zhang, que no ano passado ganhou mais de 200 mil dólares num torneio profissional disputado na Irlanda. O outro grande destaque foi Mirza Muhovic, também conhecido pelo nickname de ‘zazano’.

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Em 2020, Muhovic terminou na sexta posição do NLHE High Roller WCOOP, um reputado torneio virtual que contou com a participação de vários grandes nomes do poker e que teve pela primeira vez um luxemburguês no top 10.
Coincidentemente, dois dos jogadores que enfrentaram Muhovic no torneio da NLHE High Roller WCOOP eram portugueses: João Vieira e Filipe Oliveira.

O primeiro é um dos grandes nomes do poker português e mundial; um espécie de Cristiano Ronaldo das cartas. Vieira conta com uma carreira impressionante na mesa de jogo e estima-se que já tenha conquistado mais de 20 milhões de dólares em prémios ao longo da carreira. Um número impressionante que o coloca no topo dos rankings do poker online em português, junto de outras grandes personalidades internacionais do jogo.

Já Filipe Oliveira é uma excitante jovem promessa do poker português, que começou por se destacar em 2018, com a conquista de cerca de 150 mil dólares num torneio organizado nas Caraíbas.

As relações fortes que existem entre Portugal e Luxemburgo são conhecidas de todos, mas pode essa sinestesia histórica fazer-se sentir no contexto do poker? Para já, é determinante analisar de que modo o fenómeno do poker pode afetar (ou beneficiar) uma economia local, como aconteceu em Portugal e como pode vir a acontecer no Luxemburgo.

Crescimento económico vs. flagelo social

Um dos principais pontos positivos do poker relaciona-se com o seu contributo ímpar para o crescimento económico, principalmente no contexto do setor do entretenimento. Em Portugal, os portugueses gastam cerca de 600 mil euros por hora em jogos de poker e derivados através da Internet, querendo isto dizer que as contas do Estado faturam milhões de euros em impostos todos os anos.
De um ponto de vista puramente económico, o poker é uma espécie de milagre financeiro: existem poucas indústrias capazes de gerar milhões num tão curto espaço de tempo e de contribuir de forma tão incisiva para uma economia local. Mas existem vários perigos associados ao fenómeno do poker.

Os perigos do jogo

Um dos flagelos sociais que mais comummente relacionámos com o poker é o do vício do jogo. Em países como o Reino Unido ou a Austrália, o vício do jogo já esteve na origem do suicídio de jovens jogadores, de crises financeiras extremas e de casos de burla extremamente agressivos. O vício do jogo aumentou de tal maneira na era digital que os dois países se viram forçados a investir milhões em gabinetes de apoio social para ajudar jogadores compulsivos.

No entanto, com o controlo necessário e com a ajuda de um órgão de licenciamento (como acontece em Portugal com a SRIJ) é possível abrir as portas ao poker em segurança. Um dos principais argumentos em prol da aposta no setor dos jogos de sorte e azar relaciona-se precisamente com a manutenção da segurança dos jogadores. Mesmo antes de 2015, por exemplo, o poker já era um jogo bastante popular em Portugal; os sites disponíveis, nem por isso. Com a criação de um modelo conciso de legislação e administração, o Estado Português assegurou não só uma lucrativa receita financeira como melhores condições de jogo para todos os entusiastas do jogo.

No Luxemburgo, o poker é ainda uma novelty que reúne um número pequeno de fãs. Mas como Zhang e Muhovic já demonstraram, o jogo de cartas também pode oferecer uma excitante saída profissional para vários jovens que sentem que não pertencem aos tradicionais mercados de trabalho.

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