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Estado admite ir para tribunal por causa da “apropriação abusiva” da camisola poveira

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O Estado Português, através do Ministério da Cultura, anunciou hoje que pretende acionar meios judiciais para combater a “apropriação abusiva” da camisola poveira, por parte de uma estilista norte-americana.

“A ministra da Cultura, Graça Fonseca, tomou a iniciativa de solicitar a identificação das vias judiciais e extrajudiciais ao dispor do Estado português para defender a camisola poveira enquanto património cultural português”, pode ler-se num comunicado emitido pelo ministério.

No mesmo texto, a tutela garante que “fará o que estiver ao seu alcance para que quem já reconheceu publicamente o seu erro não se demita das suas responsabilidades e corrija a injustiça cometida, compensando a comunidade poveira”.

“O Governo prossegue, assim, o seu compromisso de continuar a levar a cabo todos os esforços pela valorização, proteção, preservação e salvaguarda do património imaterial português”, acrescenta o comunicado.

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Segundo o Ministério da Cultura, esta atitude enquadra-se na estratégia de “valorização, proteção, preservação e salvaguarda do património imaterial português, como um importante ativo cultural e económico”, que vai ser aprimorada através da criação da Associação para o Saber Fazer.

“Após ter tomado conhecimento das suspeitas de uma eventual apropriação abusiva de um importante património imaterial português – a camisola poveira – o Governo está determinado em agir em conformidade na proteção deste Saber Fazer português”, explica o ministério liderado por Graça Fonseca

Ouvido pela agência Lusa, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, do distrito do Porto, Aires Pereira, explicou que, juntamente com o Ministério da Cultura, está a ser estudada uma “ação judicial, junto do Tribunal de Nova Iorque, para exigir a reparação dos danos para a cultura portuguesa e da Póvoa de Varzim”.

Em causa está uma ‘cópia’ da tradicional camisola poveira, peça de vestuário típica da comunidade piscatória local, que foi lançada na coleção da estilista norte-americana Tory Burch, e inicialmente promovida com uma peça de inspiração mexicana.

Pressionada pela atenção mediática que, entretanto, se gerou, a ‘designer’ admitiu o erro, alterou a descrição da peça de vestuário que está a venda no ‘site’ por 695 euros, e nas redes sociais deixou um pedido desculpas pelo sucedido, comprometendo-se a estabelecer um protocolo com o município poveiro para apoiar as artesãs locais.

“É um ‘remendo’ curto para o que aconteceu. Parece-me que estavam a ganhar tempo para verem se a pressão baixava, mas agora com o envolvimento do Estado tudo muda de figura. Não podem pensar que com uma ‘esmola’ resolvem os danos gerados”, disse Aires Pereira.

O autarca da Póvoa de Varzim confirmou que a própria estilista entrou em contacto com o município, via telefone, para reiterar a vontade de corrigir o erro e ressarcir os danos, mas Aires Pereira considera que o assunto “não pode ficar por aqui”.

“Não é apenas uma questão desta camisola, que é um símbolo da Póvoa de Varzim. É o facto da utilização abusiva de algo que é nosso, que faz parte da cultura e identidade nacional. Felizmente que as redes sociais, que tantas vezes se unem em torno de não questões, conseguiram, desta vez, unir-se e agir na defesa de algo que nos toca a todos”, concluiu Aires Pereira.

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