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Portugueses no Canadá são os primeiros jogadores da seleção nacional de curling

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A pandemia mantém-nos afastados de Portugal, mas as famílias Seixeiro e Ribau, residentes no Canadá, sentem-se cada vez mais próximas do país de origem, desde que passaram a integrar a seleção portuguesa de curling.

Se em Portugal a modalidade olímpica não tem expressão, no Canadá é um desporto muito popular e a Federação de Desportos de Inverno (FDIP) procurou junto da diáspora quem represente o país nas competições internacionais e suscite curiosidade pela disciplina jogada numa pista de gelo, com o objetivo de as equipas aproximarem as pedras de granito lançadas o mais perto possível do alvo, esfregando com a vassoura o piso, para tentar definir a trajetória.

Joe Ribau, 60 anos, nasceu na Gafanha da Encarnação, Ílhavo, onde regressa com frequência. Atravessou o Atlântico em criança e foi através dos filhos, Sabrina, Bridget e Christopher, com quem forma a equipa portuguesa de ‘doubles’, que começou a jogar, há uma década.

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Com os filhos, praticantes há 18 anos, tem em vista a estreia nos Campeonatos do Mundo na Escócia, adiados de novembro, devido à covid-19, para outubro deste ano, e ambiciona “fazer com que Portugal se orgulhe de ter uma equipa nacional de curling”.

“Quando saí de Portugal, em criança, nunca pensei ter a oportunidade de representar o meu país de nascimento. É com humildade e um sentimento de orgulho que vou competir por Portugal”, realça, em declarações à agência Lusa.

Nascida no Canadá, há 25 anos, Sabrina Ribau dá “importância à ligação às raízes” e fez um curso de Língua e Cultura Portuguesas. Desde que deixou de jogar futebol, não pensava ser possível vestir as cores nacionais, mas a oportunidade surgiu com a modalidade que pratica desde os oito anos.

“Tem para mim um significado profundo. Sempre fui orgulhosamente portuguesa e adoro curling. Perceber que posso juntar ambas as dimensões para ajudar a começar um programa de desenvolvimento da modalidade em Portugal significa muito para mim”, sublinha, ansiosa para pôr o país “no palco mundial” do curling.

O presidente da FDIP, Pedro Farromba, adianta terem feito “uma procura ativa” junto das comunidades portuguesas e, há um ano, contactaram alguns praticantes para começarem a representar o país na “modalidade de desportos de inverno mais vista na televisão” e “com um potencial muito grande” em Portugal, onde a federação tem pistas sintéticas amovíveis para divulgação da disciplina a que há quem chame ‘xadrez no gelo’.

De momento, os Jogos Olímpicos ainda não estão no horizonte. “Não é para já, é preciso criar muitas condições”, sublinha Pedro Farromba, que frisa existir “um projeto para a criação de um pavilhão de gelo em Portugal” e que espera que a entrada do país nas provas internacionais atraia mais jogadores e chame a atenção para o curling.

Steve Seixeiro, 49 anos, residente em Nanaimo, onde treina no clube local, começou a jogar há 21 anos e espera “ajudar a fazer crescer este desporto” em Portugal. A sua primeira experiência, incentivado pela mulher, “foi terrível”, e os conhecimentos no hóquei no gelo de nada valeram para fazer os lançamentos no bloco de apoio, varrer ou deslizar para tentar um ‘takeout’, mas depois acabou por se render.

O antigo funcionário da Microsoft, originário da Gafanha do Areão, no concelho de Vagos, destaca a permanente aprendizagem, tanto a nível técnico como estratégico, no curling, em que é necessário ter “bom equilíbrio e força central”.

Para evoluir, é fundamental testar o maior número de situações, porque “o gelo muda ao longo do jogo e afeta a forma como as pedras se comportam”, explica.

A curto prazo, Steve Seixeiro quer tentar a qualificação, em pares mistos, para o Mundial, ao lado da mulher, April, de 48 anos, canadiana praticante de curling desde os 12 anos, que espera ver concluído no verão o processo de obtenção da cidadania.

“Combinará o meu amor pelo curling e por Portugal”, enfatiza April Seixeiro.

Os jogadores já receberam os equipamentos, com o mapa-múndi desenhado, “porque os atletas portugueses estão em todas as partes do mundo”, salienta o presidente da FDIP.

Os Seixeiro e os Ribau, em Oakville, abriram ao mesmo tempo as encomendas. “Quando vesti o meu casaco não o queria despir e não consegui parar de sorrir”, transmite José Ribau.

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