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Presidenciais: Eleitores na África do Sul à espera de melhorias para emigrantes

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Maria da Piedade, de 72 anos, diz que viajou 20 quilómetros desde Alberton, no leste da capital económica da África do Sul, o país mais afetado pela pandemia da covid-19 no continente com 1,4 milhões de infeções, até ao consulado-geral “para ver se algum dia tudo melhora, principalmente para nós, emigrantes”.

Há cinco anos obrigada a andar com a ajuda de canadianas, devido a uma operação cirúrgica que correu mal, afetando a sua mobilidade, Maria da Piedade teve de se deslocar ao consulado-geral de Joanesburgo acompanhada pelo marido, para votar presencialmente nesta eleição presidencial por falta de alternativa.

“Havíamos de poder votar diretamente e não ter de nos deslocar ao consulado, mas como não temos essa facilidade tive que vir”, explicou à Lusa a portuguesa, natural de Carregal do Sal e emigrada há 54 anos na África do Sul.

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“Acho que nós, os emigrantes, deveríamos ter mais apoio, especialmente nós aqui na África do Sul, julgo que não somos bem reconhecidos como em outros países, como em França onde os emigrantes são mais reconhecidos do que nós”, frisou.

Maria da Piedade queixa-se que “falta tudo”, que como emigrante não tem “regalias nenhumas, mas uma pessoa tenta votar para ver se algum dia tudo melhora”, declarou à Lusa, depois de depositar o seu voto no consulado-geral de Joanesburgo, reconhecendo as “excelentes condições” sanitárias e de segurança em que votou.

A votação corre tranquila e sem filas com todas as medidas sanitárias contra a covid-19 neste serviço consular, em Joanesburgo, onde até ao momento votaram desde sábado pouco mais de 200 pessoas dos 24.943 eleitores recenseados nos cadernos eleitorais, disse à Lusa fonte consular.

“Votei por uma questão de cidadania e para ver se as coisas melhoram em Portugal porque se vamos continuar na mesma, não iremos a lado algum”, referiu à Lusa o engenheiro eletrotécnico Alcides Cardoso, de 78 anos, que reside em Bedfordview, a cerca de três quilómetros da única mesa de voto na jurisdição consular de Joanesburgo.

“A Europa tem outras regalias e outra forma de atuar, o meu voto é pela igualdade”, frisou, acrescentando: “É um voto para que não sejamos amachucados de qualquer maneira, porque o pessoal lá tem as suas ideias e a sua maneira de pensar”, afirmou o português, natural do distrito de Viseu e com os filhos já emigrados na Suíça.

O luso sul-africano Herbert Rodrigues Pinhão, de 52 anos, natural e residente em Kempton Park, leste da capital sul-africana, fez 30 quilómetros para exercer pela primeira vez o seu direito democrático e participar na vida política em Portugal.

“É a primeira vez que voto desde que tratei do cartão de cidadão há dois anos, e agora é o meu direito vir votar naquele que é como o meu segundo país”, explicou à Lusa Herbert Rodrigues, salientando que os luso sul-africanos deveriam também votar. “Porque é o nosso direito e é também o nosso futuro”.

Já para o consultor português Luís Cunha, de 50 anos, oriundo do Porto, e destacado em Joanesburgo ao serviço de uma multinacional: “É um voto que tem o poder de influenciar, somos emigrantes, mas, no nosso caso, um dia voltaremos para lá e queremos continuar a poder influenciar os destinos do nosso país”.

Nesta eleição, os portugueses e lusodescendentes residentes na África do Sul votam presencialmente em quatro mesas de voto, em Pretória, Joanesburgo, Durban e na Cidade do Cabo.

O consulado-geral em Joanesburgo, é a maior jurisdição consular no país que se estende, na África do Sul, às províncias de Gauteng (excluindo Pretória), Limpopo, North West, Mpumalanga, Free State e KwaZulu-Natal, e ainda o Botsuana e o Lesoto.

Os eleitores recenseados começaram a votar no sábado, com a África do Sul a viver sob confinamento geral de nível 3 ajustado devido à pandemia de covid-19.

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