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Filipe Nyusi defende unidade na luta contra grupos armados

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O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu hoje a unidade do país na luta contra os grupos armados que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado, região norte, reiterando o compromisso com a consolidação da paz e da democracia.Filipe Nyusi falava em Maputo por ocasião do encerramento de uma conferência promovida pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), alusiva aos 30 anos do multipartidarismo.

“Apelamos aos nossos irmãos [da Resistência Nacional Moçambicana] para ultrapassarem as suas diferenças pela via do diálogo para que o país se possa unir na luta contra os terroristas”, sublinhou Nyusi.

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, atravessa uma crise interna, com uma dissidência armada da sua guerrilha a contestar o presidente da organização, Ossufo Momade, e a protagonizar ataques armados nas províncias de Sofala e Manica, centro do país, contra alvos civis e que já provocou 30 mortos desde agosto de 2019.

No seu discurso, o chefe de Estado moçambicano assinalou que a ausência de “paz efetiva” no país é uma ameaça aos direitos e liberdades fundamentais alcançados com a implantação da democracia.

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“Constatamos que ao longo destes 30 anos de democracia multipartidária, ainda persistem desafios que devem ser superados para o alcance de uma paz efetiva”, frisou o Presidente moçambicano.

Os atentados aos direitos humanos e as desconfianças em relação aos órgãos de administração eleitoral também são uma mancha à qualidade da democracia moçambicana, acrescentou.

Por seu turno, o embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, disse que a organização está empenhada em ajudar o país a consolidar o Estado de Direito democrático.

“Estamos prontos a ajudar Moçambique a reforçar a capacidade de resposta aos múltiplos desafios que enfrenta, incluindo a situação em Cabo Delgado”, declarou Gaspar, falando no mesmo evento.

O diplomata assinalou a importância do respeito pelos direitos humanos, enfatizando que o compromisso com os valores fundamentais deve estar no “âmago” da cooperação entre a UE e os seus parceiros.

O embaixador da UE em Moçambique destacou o compromisso do Estado africano com o sufrágio universal, sublinhando que o país nunca falhou eleições gerais de cinco em cinco anos, desde a realização do primeiro escrutínio nacional em 1994.

António Sánchez-Benedito Gaspar reiterou o empenho da UE no apoio ao desenvolvimento social e económico de Moçambique.

A violência armada em Cabo Delgado dura há três anos e está a provocar uma crise humanitária com cerca de 2.000 mortes e cerca de 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos e concentrando-se sobretudo na área da capital provincial, Pemba.

Por outro lado, as províncias de Sofala e Manica, centro do país, são palco de ataques da autoproclamada Junta Militar, uma dissidência armada da Renamo.

O grupo rejeita a liderança do presidente da Renamo, Ossufo Momade, acusando-o de trair as posições do seu antecessor Afonso Dhlakama nas negociações que levaram à assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, a 06 de agosto.

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