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No Sabugal as crianças vão de táxi para a escola – e não pagam por isso

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O município do Sabugal transporta este ano 60 alunos de táxi, seis através de uma instituição social, e cerca de 500 alunos em autocarros do serviço público de transporte de passageiros. Investimento em transportes escolares já era uma prática municipal.

A Sara e o Tomás são duas das 60 crianças do Sabugal que neste ano letivo são transportadas de táxi para a escola, no âmbito de uma medida municipal que assegura transportes gratuitos para todos os estudantes.

As duas crianças, residentes na povoação de Urgueira, que pertence à União de Freguesias de Sabugal e Aldeia de Santo António, frequentam o ensino pré-escolar na localidade de Aldeia de Santo António, a cerca de seis quilómetros de distância de casa.

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O Tomás tem cinco anos e frequenta a pré-escola pelo terceiro ano, enquanto a prima, Sara, de três anos, o faz pela primeira vez. As crianças apanharam hoje o táxi conduzido por Ana Rita, de 27 anos, às 08:45 e, cinco minutos depois, estavam à porta da escola, que os acolheu no arranque de mais um ano letivo.

À sua espera estavam a educadora Ana Maria, uma funcionária e mais cinco crianças (de um total de nove que este ano letivo frequentam o ensino pré-escolar).

Os dois meninos mostraram-se sempre muito tímidos e não quiseram falar à agência Lusa, mas a avó, Maria Tavares, valorizou a medida do município do Sabugal, no distrito da Guarda, que este ano volta a proporcionar transporte gratuito para todos os alunos do concelho, desde a educação pré-escolar até ao 12.º ano, cuja área de residência dos alunos dista mais de três quilómetros do estabelecimento de ensino.

“É o primeiro ano em que os meus netos vão de táxi. No ano passado, o Tomás foi transportado por uma carrinha da Liga de Amigos [da Aldeia de Santo António], juntamente com os meninos de Sortelha”, referiu. A avó reconhece que o transporte em táxi “é mais confortável” e “um descanso” para a família, que não tem transporte próprio para os levar diariamente para a escola.

A educadora Ana Maria disse à Lusa que o transporte por táxi “tem funcionado bem” e é uma iniciativa útil, pois, se assim não fosse, “algumas das crianças teriam dificuldades” nas deslocações.

Este transporte, considerou, revela-se “mais confortável para as crianças”. Em vários casos, os pais “vão para o trabalho e deixam os filhos com os avós até serem recolhidos” pelos motoristas.

A taxista Ana Rita, que faz transportes escolares há três anos, transporta as duas crianças da aldeia de Urgueira pela primeira vez: “Apanho os meninos em casa pelas 08:45 e, depois, vou buscá-los à escola pelas 17:30”. A profissional admitiu que o contrato anual com o município do Sabugal “é ótimo” e que “lidar diariamente com crianças é maravilhoso”.

Em Aldeia de Santo António também funciona a escola do 1.º ciclo do ensino básico, que neste ano letivo tem inscritos 10 alunos.

No primeiro dias de aulas compareceram seis crianças e nenhuma delas foi transportada de táxi. Este ano, o município do Sabugal transporta 60 alunos de táxi, seis através de uma instituição social, e cerca de 500 alunos em autocarros do serviço público de transporte de passageiros, segundo a vereadora com o pelouro da Educação, Sílvia Nabais.

No concelho, situado junto da fronteira com Espanha, além do Agrupamento Escolar do Sabugal, funcionam escolas e estabelecimentos de ensino pré-escolar em Aldeia de Santo António, Ruvina, Cerdeira, Aldeia Velha e Soito.

Os alunos são transportados de táxi sobretudo para as escolas que estão fora da cidade do Sabugal e “levam os meninos de casa até à escola ou de quintas para a paragem de autocarros”.

“[Os táxis] surgem, sobretudo, naqueles casos em que não temos o serviço público de transporte de passageiros”, explicou a autarca.

Só para o serviço de táxi, a Câmara Municipal recorre a cerca de 10 empresas de transportes de passageiros que operam no concelho. O número aumentou este ano devido à pandemia causada pela Covid-19, que obriga a desdobrar os percursos “porque um táxi tem de fazer duas vezes o mesmo circuito”.

No ano passado, a autarquia investiu cerca de 325 mil euros em transportes escolares (100 mil euros em circuitos especiais por táxi e 225 mil euros em passes escolares, através do Serviço Público de Transporte de Passageiros), prevendo Sílvia Nabais que este ano ocorra “um aumento de quase 50%”.

 

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