Um medicamento em vez do bisturi e pacientes que estão a melhorar? Este é o resultado de um estudo francês sobre o cancro de rim que foi apresentado, domingo, 3 de junho, na ASCO, a maior conferência sobre cancro, realizada em Chicago (EUA).
Orientado de 2009 a 2017 pelo Professor Arnaud Méjean, o estudo Carmena pretende mostrar que para pacientes com cancro renal avançado, com metástases, um só medicamento poderá ter a mesma eficácia que o tratamento convencional combinando cirurgia e tratamento médico.
A droga usada, sunitinibe, pertence à categoria de “terapias direcionadas”, que tem como alvo uma anormalidade nas únicas células cancerosas. O estudo abrangeu 224 pacientes que receberam apenas sunitinibe e 226 que fizeram também cirurgia. Após pouco mais de quatro anos de acompanhamento, verificou-se que os pacientes tratados apenas com sunitinibe saíram tão bem quanto aqueles que tiveram a combinação clássica. E em termos de sobrevivência, até ganharam quatro meses.
Por que reduzir o número de extrações renais?
Estes resultados devem levar os urologistas a reduzirem o número de remoções de rins, nefrectomias, porque isso costuma ser difícil por causa das lesões avançadas. O cancro do rim - que afeta 13.000 pessoas por ano na França - é na verdade diagnosticado num estádio avançado, porque evolui em silêncio.
Mas a nefrectomia não desaparecerá, alerta Arnaud Mejean. “Quando há uma única metástase ou se o tratamento diminuiu o tamanho dos tumores, continuaremos a operar“, diz ele. A chegada nos últimos meses de novas moléculas, ainda mais efetivas que o sunitinibe, deve, no entanto, permitir uma redução muito significativa no uso da cirurgia em benefício dos pacientes.

