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Portugal com “potencial” para levar karaté a Tóquio2020, mas dificuldades limitam o sonho

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O selecionador português de karaté, Joaquim Gonçalves, acredita que Portugal tem atletas com “potencial” para participarem nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, mas lamenta as dificuldades “estruturais” da modalidade, que limitam o sonho.

“(Falta) Sobretudo ter uma estrutura técnica profissionalizada. Até ao momento, a federação não conseguiu encontrar meios financeiros para ter uma equipa técnica profissionalizada a pensar, planear e operacionalizar um grupo de atletas que é uma seleção de alto rendimento, e que pudéssemos com eles construir esse programa com objetivos olímpicos”, destacou.

Em entrevista à agência Lusa, o técnico abordou os melhores resultados internacionais de sempre da seleção, nos Europeus sub-21 e juniores, destacando-se o primeiro ouro da história através de Mariana Lélis em -59 kg na vertente kumite, de combate, na qual Alexandra Silva foi prata em -61 kg e Flávia Ribeiro prata em -68 kg.

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Na vertente de kata, que é de exibição, David Fernandes foi bronze num grupo que teve mais cinco atletas a lutar pelo último lugar do pódio.

“Há também o enquadramento dos atletas, sobretudo os estudantes com dificuldades pela ausência de períodos de avaliação (específicos) na escola. Os mais velhos, já empregados, têm problemas profissionais ao nível das dispensas, mesmo sendo um ato oficial de interesse publico. As empresas colocam entraves”, lamentou.

Para o êxito nos Europeus de Sófia, destacou o “empenho” de atletas e equipa técnica, bem como a “preparação tática e muita disciplina emocional” dos atletas lusos.

“Depois, o facto de ao longo dos últimos anos termos vindo a seguir um modelo competitivo que tem grande identidade com aquilo que os melhores países da Europa têm feito em termos competitivos. Foram fatores essenciais deste êxito no campeonato da Europa”, completou.

O selecionador acha “possível” levar o karaté português a Tóquio2020, mas recorda que “a competitividade é muito grande”, exemplificando com o facto das provas internacionais se disputarem em cinco categorias por sexo e que nos Jogos serão apenas três, condensando ainda mais a luta.

Joaquim Gonçalves espera que os dirigentes federativos assumam “o sinal de maior responsabilidade” derivados dos resultados de Sófia e que os que dirigem o desenvolvimento desportivo nacional “olhem para a modalidade e disponibilizem os recursos necessários” que ajudem o karaté nacional a dar seguimento aos “ótimos resultados internacionais dos últimos anos”.

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