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Vilarandelo afeiçoa-se a porco que come croissants e bebe café

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Há um porco à solta nas ruas de Vilarandelo em Valpaços. O animal foi adquirido para ser rifado no Natal com o pretexto de angariar fundos para o arranjo de uma capela. Tornou-se tão popular que agora ninguém quer que morra, segundo notícia publicada pelo JN.

A tradição do reco de Santo António é bem conhecida em Vilarandelo, Valpaços. O porco, adquirido pelo povo, é solto pelas ruas da aldeia para engordar durante alguns meses. “O povo dá e o povo sustenta”, diz o ditado da terra. Enquanto o animal cresce vendem-se rifas. Pelo Natal é sorteado e dele resulta o fumeiro. Este ano o costume popular, que não se cumpria há mais de 40 anos, trouxe de novo o reco às ruas.

Ninguém sabe precisar quando começou. “Há 50 ou 60 anos”, diz Júlio Vale, um dos moradores de Vilarandelo. E ninguém sabe porque parou. Mas todos estão contentes porque o reco voltou. Principalmente Maria Estela, a zeladora do “Toninho”: “Ai dá muito trabalho, não é só querer o porco e deixá-lo andar. É preciso limpá-lo e tratá-lo. É como se fosse uma pessoa. Mas não estou arrependida, aliás estou bem contente”, diz sem nunca tirar os olhos do “Toninho” que, entretanto, se esgueirou para dentro da capela de Santo António.

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Das 1000 rifas impressas já quase não sobra nenhuma. Agora, o problema é que, seja por já não haver reco há muito tempo, seja pela “beleza” que todos atribuem ao animal, a pouco tempo de ser rifado já ninguém o quer matar. “O porco ganhou a afeição dos populares”, diz Maria Estela. Ela que é a voz dos vilarandelenses: “Ele devia andar sempre aqui pelo meio do povo até que morresse”. Então e as rifas? “Eu tenho fé que ninguém o vai matar”. Talvez o reco tenha sorte. “O nosso porquinho é tão bonito, pretinho e de risca branca…”, diz Maria da Graça, uma vizinha, que sorri enquanto o animal ronca e esfrega o focinho no chão.

O porco não conhece o seu destino. Na verdade, nem ele, nem ninguém. Até ao dia do sorteio vai andando pelas ruas. De campainha no cachaço, a avisar que vai passar. Os populares alimentam-no. Bebe café, come gomas e pastéis. Até ao Natal , pelo menos, vai ser feliz.

Dinheiro vai para reparação do telhado

O dinheiro que os populares conseguirem angariar com a venda das 1000 rifas, cujo prémio é o porco, vai reverter a favor da reparação do telhado da capela de Santo António, o padroeiro da terra que, não só dá nome à tradição, “reco de Santo António”, como ao porco, “Toninho”.

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