Início Refugiados Primeiro centro de noite do país em Baião não tem utentes e...

Primeiro centro de noite do país em Baião não tem utentes e vai acolher refugiados

1083
0

O centro de noite de Santa Leocádia, Baião, um investimento de 75.000 euros, inaugurado há um ano e anunciado como o primeiro em Portugal, não teve utentes até hoje e prepara-se para receber uma família de refugiados.

Segundo Vitor Pinto, presidente do Centro de Convívio e Apoio à Juventude e Idosos daquela localidade, a entidade gestora, o projeto tinha sido perspetivado há cerca de oito anos, altura em que havia interessados em frequentar aquele tipo de valência.

Contudo, frisou o dirigente, o projeto encontrou várias dificuldades na fase de licenciamento pela tutela da Segurança Social. Quando se conseguiu autorização para avançar, a capacidade apontada inicialmente para o equipamento, de 12 utentes, foi reduzida para sete, optando-se pela adaptação de um espaço já existente nas instalações da instituição.

Publicidade

Após as obras de adaptação, procedeu-se à inauguração, pelo então secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Agostinho Branquinho, mas desde então não houve procura da valência de centro de noite, que previa jantar, dormida e pequeno-almoço para os utentes. Em troca, os utilizadores pagariam um valor à instituição.

O centro representou um investimento de 75.000 euros em resultado do envolvimento da câmara municipal e da Cooperativa Dolmen. O município apoiou a construção com 50.000 euros, a cooperativa com 15.000 e o restante foi assumido pela instituição de solidariedade social.

Vitor Pinto disse à Lusa que se tratava de “uma resposta de luxo” e que talvez tenha sido a crise a afastar os potenciais interessados, frisando que o público-alvo seria formado por pessoas que viviam sozinhas ou isoladas, mas que teriam uma atividade durante o dia.

“A procura foi baixíssima”, comentou.

Nos primeiros meses, a instituição de Santa Leocádia chegou a receber a verba que tinha sido contratualizada com a Segurança Social para o funcionamento da valência. Contudo, assinalou o dirigente, face à inexistência de utentes, foi a própria instituição a solicitar à tutela a devolução do valor que já havia recebido.

Vitor Pinto admitiu hoje alguma frustração por não ter sido possível, até hoje, dar ao espaço a finalidade para o qual foi preparado. Ao invés, observou, o número de solicitações para centro de dia é maior do que a capacidade de resposta da instituição. Atualmente, 25 pessoas são beneficiadas com aquela valência.

O dirigente disse que a instituição foi das primeiras do país a disponibilizar-se para receber refugiados, a instalar no espaço concebido inicialmente para centro de noite.

O acordo celebrado com a entidade nacional que está a coordenar o acolhimento dos refugiados prevê que o espaço receba um agregado familiar de quatro pessoas, embora tenha capacidade para mais.

Artigo anteriorJogo União da Madeira-Benfica remarcado para 15 de dezembro
Próximo artigoMosteiro de Santa Clara, Vila do Conde, com vigilância eletrónica contra vandalismo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui