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Historiador português escreve livro que retrata a história da emigração portuguesa

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Portugal recebe, amanhã, o lançamento do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

A obra, concebida e realizada pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo Gérald Bloncourt que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 21H30 no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, cidade que alberga o Museu das Migrações e das Comunidades, uma instituição que tem como missão aprofundar o conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.

A apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com prefácio do multipremiado ensaísta e pensador Eduardo Lourenço, e posfácio de Maria da Conceição Tina, ‘a menina da boneca’ fotografada por Bloncourt, no bidonville de Saint Denis, na década de 1960, estará a cargo da reputada socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha – Trindade.

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Esta obra reúne além das imagens emblemáticas e históricas, que o fotógrafo de 89 anos captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bairros de lata nos arredores de Paris, memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século.

De acordo com o autor da obra, a concretização deste projeto sobre o olhar comprometido de Gérald Bloncourt com os portugueses, que o fotógrafo identifica desde os bancos da instrução primária como os descendentes dos grandes descobridores do mundo, constitui “um justo reconhecimento aos protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade. Todos eles representados por uma personalidade ímpar que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e em Portugal”.

Para Eduardo Lourenço, consagrado intelectual português de reputação internacional que assina o prefácio do livro, em pleno drama da nossa emigração de europeus, os portugueses “subiram do lugar sem luz como hoje milhares de outros emigrantes atravessam os vários Mediterrânios da vida para o tombadilho onde o ar do largo lhes restitui ao mesmo tempo a esperança e a dignidade”.

Tendo nos anos 60 a sorte de terem tido “como companhia o sorriso aberto de marinheiro de Gérald Bloncourt. E a sua máquina para os lembrar para sempre nos retratos com que os salvou do esquecimento”.

Refira-se que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido socioeconómico luso-francês, como a cadeia de hipermercados E.Leclerc, a Companhia de Seguros Fidelidade, em Paris, e a cadeia de lojas FNAC, em cujos espaços culturais será comercializado o livro e circulará simultaneamente uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal.

No início de 2016 estão agendadas várias sessões de apresentação da obra junto das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, em particular da numerosa comunidade portuguesa radicada em Paris, uma sessão carregada de grande simbolismo que contará com a presença do fotógrafo que seguiu durante 30 anos a vida dos portugueses em França.

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