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El Niño e guerras colocam a ajuda humanitária sob pressão em 2016

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Os efeitos de um super El Niño irão colocar a ajuda humanitária sob um nível de tensão sem precedentes em 2016, jutando-se às consequências de conflitos na Síria, Sudão do Sul, Iémen e em outros lugares.

Adam Scaife, cientista especializado em meteorologia, atribui alguns dos eventos extremos da última semana à ocorrência do El Niño, nomeadamente as cheias no Reino Unido, as temperaturas altas registadas nos Estados Unidos e os incêndios florestais na Austrália.

A Oxfam, uma confederação de várias organizações de combate à pobreza, prevê que o sistema meteorológico do El Niño poderá deixar que dezenas de milhões de pessoas enfrentem a fome, a escassez de água e as doenças, no próximo ano, se não forem tomadas medidas de prevenção para preparar as pessoas vulneráveis a esses efeitos.

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Já é tarde demais para algumas regiões evitarem uma situação de emergência grave. Na Etiópia, o governo estima que 10,2 milhões de pessoas vão precisar de assistência humanitária em 2016, devido a uma seca que tem vindo a aumentar pelos efeitos do fenómeno El Niño. A Oxfam está a planear poder atingir 777.000 pessoas com água potável, instalações sanitárias, alimentação de emergência e apoio à subsistência, mas enfrenta uma lacuna de financiamento de cerca de 23 milhões de euros.

Noutros lugares, a situação é grave e está a deteriorar-se e é urgente desenvolver ações preventivas para evitar uma crise ainda maior.

Jane Cocking, Director da Oxfam Humanitária, disse: “Milhões de pessoas em lugares como a Etiópia, Haiti e Papua Nova Guiné já estão a sentir os efeitos da seca e da quebra nas colheitas. Precisamos urgentemente de obter ajuda para estas áreas para garantir que as pessoas têm comida e água suficientes“.

As agências de ajuda já estão a dar maiores respostas às crises na Síria, no Sudão do Sul e no Iémen. Não nos podemos dar ao luxo de permitir que outras emergências de grande escala se desenvolvam noutros lugares. Se o mundo fica à espera para responder às crises emergentes na África Austral e na América Latina, não iremos ser capazes de lidar com essas catástrofes“.

O sistema humanitário está, presentemente, sob uma pressão sem precedentes. A ONU diz que o número de pessoas forçadas a fugir de suas casas por causa dos diferentes conflitos atingiu os 60 milhões, um nível que nunca foi atingido mesmo na era pós-Segunda Guerra Mundial.

A escassez de alimentos é esperada atingir o pico no sul da África, em fevereiro. A África do Sul já declarou várias províncias como áreas de desastre devido à seca. A segurança alimentar nacional do Malawi, na sua previsão para 2015-2016,  calcula que 2,8 milhões de pessoas vão exigir assistência humanitária antes de março.

Dois milhões de pessoas em toda a Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua já precisam de ajuda alimentar depois da seca e das chuvas fora da época. Com inundações esperadas na América Central, em janeiro, a situação irá provavelmente deteriorar-se ainda mais.

Os governos e os beneméritos poderiam estar a tomar medidas agora para ajudar as pessoas a lidar com a seca ou com as inundações, incluindo a conservação do solo e da água, reduzindo os rebanhos de gado para tamanhos mais manejáveis e assegurar o tratamento precoce dos casos de desnutrição. Um estudo recente do Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional mostrou que, em média, esses tipos de medidas reduzem os custos de resposta a uma emergência em 40 por cento por pessoa.

O El Niño é um fenómeno natural que ocorre a cada 7/8 anos. Deve o seu nome ao termo espanhol para o menino Jesus, depois de os seus efeitos serem notados, na América do Sul, na época de Natal.

Embora o El Niño não seja diretamente culpado pelas alterações climáticas, o aquecimento global torna estes fenómenos mais frequentes e mais violentos. E, por sua vez, os ‘El Niños’ envolvem a libertação de uma grande quantidade de calor do Oceano Pacífico, agravando a mudança climática.

Os fortes efeitos deste ano do El Niño deve servir como um lembrete para os líderes mundiais para que eles tomem medidas firmes para manter o aquecimento global a menos de 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais. Outros compromissos também são necessários de forma a garantir que há financiamento suficiente para apoio às comunidades vulneráveis a se adaptarem ao clima, cada vez mais imprevisível e extremo.

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