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Portugal quebra “tabu” com Francisca van Dunem

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Luanda, 26 nov (Lusa) – O vice-procurador-geral da República de Angola, general Hélder Pitta-Groz, considera que Portugal quebrou um “tabu” com a escolha de uma mulher negra, Francisca van Dunem, para o Governo, para ocupar o cargo de ministra da Justiça.

“Numa sociedade como a de Portugal não seria fácil, não foi fácil de certeza absoluta, que uma mulher negra chegasse a fazer parte de um Governo”, afirmou Hélder Pitta-Groz, questionado pelos jornalistas, em declarações emitidas hoje pela rádio pública angolana.

Francisca van Dunem nasceu em Luanda a 05 de novembro de 1955, no seio de famílias conhecidas de Angola – Vieira Dias, pelo lado materno, e van Dunem pelo paterno – e é a segunda magistrada a ocupar a pasta da Justiça em Portugal, depois de Laborinho Lúcio.

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“Também foi quebrar um bocado esse tabu que havia em Portugal: mulher negra não”, disse o vice-procurador-geral da República de Angola, assumindo-se como amigo da família da nova ministra da Justiça de Portugal.

“Se o PS e os seus parceiros a escolheram é porque reconhecem as suas competências e as suas capacidades”, apontou ainda, naquela que é a primeira reação conhecida de elementos próximos do Governo de Angola a esta nomeação.

Francisca van Dunem chegou a Portugal com 18 anos, para estudar direito, mas a revolução do 25 de Abril de 1974 apanhou-a no segundo ano do curso, tendo regressado temporariamente a Angola.

Em Portugal, a nova ministra da Justiça fez toda a carreira profissional como magistrada no Ministério Público.

É irmã de José van Dunem, do setor ortodoxo e de obediência soviética do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, e cunhada da militante comunista Sita Valles, ambos mortos na sequência do golpe de maio de 1977 em Angola.

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1 COMENTÁRIO

  1. «Numa sociedade como a de Portugal não seria fácil, não foi fácil de certeza absoluta, que uma mulher negra chegasse a fazer parte de um Governo.» — mas que afirmação mais absurda. Terá sido escolhida para ministra não pelo facto de ser mulher ou de ser negra, mas pelo simples facto de ser competente.

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