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“Os Dias do desassossego” celebram Pessoa, Saramago, o livro e a leitura

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Lisboa, 16 nov (Lusa) – A Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago, em Lisboa, juntam-se, a partir de hoje, na iniciativa a que chamaram “Dias do desassossego”, para celebrar o livro e a leitura, com música, cinema e debates.

A abertura decorre na Fundação José Saramago, no dia em que o Nobel da Literatura faria 93 anos, com a apresentação das bases da “Declaração Universal dos Deveres Humanos”, proposta pelo Nobel da Literatura, documento elaborado agora pela fundação, em parceria com a Universidade Autónoma do México.

A sessão conta com a presença dos redatores ibéricos do documento, Ángel Gabilondo, Francisco Louçã, Sami Naïr, José António Pinto Ribeiro e o candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa.

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O programa da iniciativa termina no próximo dia 30, quando passam 80 anos sobre a morte de Fernando Pessoa

Entre a data de nascimento de Saramago e a data da morte de Pessoa, “queremos levar o livro e a leitura para a rua, tendo presente o que as duas casas trabalham, como polos agregadores da literatura e que querem aprofundar um diálogo com outras linguagens artísticas”, disse o diretor da Fundação José Saramago, Sérgio Machado Letria, à agência Lusa.

Durante as próximas duas semanas, o programa contará com iniciativas tanto na Casa Fernando Pessoa como na Fundação José Saramago, mas também noutros espaços da cidade, nomeadamente o Musicbox, o Teatro São Luiz, escolas e o Hospital Júlio de Matos.

“No fundo, o que propomos são diferentes tipos de leitura, através do cinema, com filmes que espelhem e pensem a leitura, com propostas de teatro ou com oficinas junto de escolas”, explicou à Lusa a diretora da Casa Fernando Pessoa, Clara Riso.

No cinema Monumental programaram-se três dias de cinema, com escolhas de filmes que dialogam com a literatura, sem necessariamente serem adaptações de obras literárias. As escolhas são de Pedro Mexia, Tiago Baptista, Osvaldo Silvestre e Mário Jorge Torres.

Estão previstas ainda intervenções de arte nas ruas da cidade, em parceria com a GAU – Galeria de Arte Urbana, em locais e com artistas ainda a anunciar, e ainda uma oficina de criação poética de Miguel Horta com utentes do Hospital Júlio de Matos.

O programa, que não tem iniciativas que se sobreponham, durante as próximas duas semanas, contará também com um espectáculo do pianista Mário Laginha, na quarta-feira, no CCB, intitulado “A biblioteca dos músicos”, que incluirá duas peças inéditas dedicadas a Saramago e a Pessoa.

Os Dias do Desassossego – designação inspirada em “O Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares/Fernando Pessoa – termina a 30 de novembro, com a Casa Fernando Pessoa a assinalar os 80 anos da morte do poeta português.

O ator João Grosso interpretará “Ode Marítima”, do heterónimo Álvaro de Campos, no Teatro São Luiz, e Luís Miguel Cintra encenará, no Teatro da Cornucópia, um recital que demonstra as marcas de Pessoa na poesia portuguesa.

Sérgio Machado Letria e Clara Riso estão em sintonia quando dizem que estas iniciativas pretendem “chamar a atenção para o potencial transformador do livro” e resumirem, em duas semanas, o trabalho de promoção da leitura que a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa executam ao longo de um ano.

A parceria entre as duas estruturas culturais, que foi formalizada no começo deste ano, permitiu a criação de um bilhete conjunto que permite descontos a quem visitar os dois espaços, separados por cercacde 18 quilómetros.

Mais de 1.400 visitantes utilizaram esse bilhete ao longo deste ano, segundo Clara Riso.

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