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Historiador Antony Beevor defende que batalha das Ardenas em 1944 ajudou avanço soviético

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O historiador britânico Antony Beevor defende, no livro “Ardenas 1944”, que a maior batalha da Europa Ocidental durante a II Guerra Mundial permitiu à União Soviética progredir com mais rapidez até Berlim.

“Apesar da relutância dos historiadores russos em aceitar o facto, não há dúvida de que o sucesso de um avanço do Exército Vermelho, do Vístula até ao Oder, se deve em grande parte à ofensiva de Hitler nas Ardenas”, conclui Beevor, no livro “Ardenas 1944 – A Última Jogada de Hitler”, agora publicado em Portugal.

O britânico Antony Beevor é autor de uma vasta obra sobre a II Guerra Mundial, com títulos como “Estalinegrado”, “A Queda de Berlim” ou o “Dia D: A Batalha da Normandia”.

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Na investigação sobre a ofensiva das Ardenas, Bélgica, Beevor relata os detalhes da ofensiva idealizada por Hitler, como a derradeira oportunidade de travar o avanço dos Aliados após o desembarque na Normandia, em junho de 1944.

A campanha vai acabar por ficar marcada pela extrema violência entre as tropas no terreno mas, sobretudo, por uma série de massacres cometidos contra as populações civis e execuções de prisioneiros de guerra norte-americanos e que acaba por provocou casos de “vingança” contra as forças da Alemanha nazi.

Segundo Beevor, as baixas alemãs e aliadas no combate das Ardenas, de 16 de dezembro de 1944 a 29 de janeiro de 1945, foram sensivelmente idênticas, tendo o total das perdas alemãs atingido cerca de 80 mil entre mortos, feridos e desaparecidos.

Os americanos sofreram 75.482 baixas, com 8.568 mortos confirmados, e os britânicos, 200 mortos.

“A infeliz 106.ª Divisão de Infantaria (EUA) perdeu a maior parte dos seus homens e muitos deles eram prisioneiros de guerra. A 101.ª Divisão Aerotransportada sofreu a percentagem de mortes mais elevada, com 535 mortos em combate”, destaca Beevor.

O historiador relata – com detalhe – os dias mais intensos da campanha, que decorre durante os rigores de um inverno especialmente “duro”, notando que “um dos grandes debates” sobre a ofensiva das Ardenas se tem centrado na incapacidade de os Aliados não terem previsto o ataque, apesar de “fragmentos de informações” que indicavam as intenções secretas de Berlim.

As altas patentes alemãs tentaram demonstrar a ineficácia do plano mostrando preocupação com o avanço do Exército Vermelho, ao contrário dos oficiais mais jovens das Waffen SS, que acabaram por ser responsáveis pelos massacres de civis em Malmédy e Stavelot, e que provocando a ira dos soldados norte-americanos, nas Ardenas.

“’Depois de terem visto aqueles civis mortos em Stavelot, os homens mudaram’, relatou um dos soldados. ‘Queriam pulverizar tudo o que havia do outro lado do rio. Não era uma raiva impessoal: era ódio’. Poucos soldados da Waffen-SS foram capturados vivos”, refere o historiador citando um soldado norte-americano.

Na sequência dos massacres cometidos pelos nazis, foram reunidas provas para um julgamento por crimes de guerra e o Tribunal Militar americano de Dachau acabou por condenar 73 antigos membros comandados por Joachin Pieper, sendo que 43 foram condenados à morte; 22 a prisão perpétua e oito a penas de prisão entre dez a vinte anos.

Pieper, o coronel alemão que cumpriu onze anos de prisão, tendo sido o último a ser libertado, acabou por ser assassinado por antigos membros da Resistência francesa, em julho de 1976, no Haute-Saône, onde vivia sob anonimato.

“Pouco antes da sua morte, disse que os antigos camaradas estavam à sua espera no Valhala” (local habitado pelos mortos em combate, segundo a mitologia nórdica), escreve Antony Beevor.

O livro investiga igualmente as “desastrosas” posições do marechal Montgomery, que nunca superou o facto de o Reino Unido não ter tido um papel mais preponderante no comando das forças aliadas na Europa, liderado por Eisenhower, sobretudo numa “famosa” conferência de imprensa no início do ano de 1945, em que insinua que os efeitos da batalha das Ardenas foram “culpa” dos americanos.

“Na verdade, não se pode excluir completamente a possibilidade de que a raiva do presidente Eisenhower diante da perfídia britânica durante a crise do Suez, onze anos mais tarde, não fosse condicionada em parte pelas suas experiências em janeiro de 1945”, escreve Beevor concluindo que Berlim não mediu convenientemente as tropas que se encontravam na Bélgica, sobretudo as norte-americanas.

“O maior erro da liderança alemã na ofensiva das Ardenas talvez tenha sido ter subestimado os soldados de um exército que se tinha habituado a menosprezar”.

O livro “Ardenas 1944 – A Última Jogada de Hitler” (Bertrand Editora, 513 páginas), lançado na sexta-feira, inclui fotografias e os vários mapas da ofensiva.

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