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França: Músico português do metro deixa de tocar em memória das vítimas

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O saxofone de Lúcio Martins Faria, um dos músicos da linha 8 do metro de Paris, não toca desde sábado e vai ficar “em silêncio” mais alguns dias, disse o português à agência Lusa.

O músico, que toca no metropolitano da capital francesa há cerca de vinte anos, decidiu parar de tocar e cantar por alguns dias por respeito pelos franceses e pelas vítimas dos atentados de sexta-feira, que provocaram pelo menos 129 mortos.

“Eu sei que o povo, moralmente, não está lá, é impossível. E mesmo por uma questão de respeito porque nós os músicos, embora sejamos figuras públicas, o povo francês e que habita em Paris – e até em toda a Europa – merece um certo respeito. Eu parei para fazer o meu luto também”, justificou o saxofonista que costuma cantar e tocar fado no metro.

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O músico oriundo do Porto explicou que parou “por uns dias” mas disse que vai voltar às carruagens da linha 8 – e de vez em quando da linha 9 – porque “não tem medo”, apesar de já ter havido um atentado no metro de Paris em 1995 que o deixou “aterrorizado” alguns dias.

“Não tenho medo. A vida continua. Já houve atentados nos transportes em 1995, na estação de Saint-Michel, e dois ou três dias depois os músicos voltaram para a rua e para o metro. Eu logicamente que não vou parar”, testemunhou o também fadista.

Lúcio admitiu, ainda assim, “algum receio” porque as autoridades não revistam as pessoas e “é muito fácil” alguém cometer um atentado porque ninguém verifica os sacos ou as mochilas, mas “se calhar no futuro eles vão procurar ter mais precauções”.

“Hoje viajei e não vi músico nenhum. Creio que eles são todos unânimes em parar. Na linha 9 – que eu também faço dois dias por semana – não vi nenhum e a esta hora normalmente há sete, oito, nove, 15 músicos e não vi nenhum”, continuou.

O músico admitiu ainda que não se sente “muito forte” neste momento e tem um “certo receio” porque “possivelmente isto é uma guerra declarada”.

“Da maneira que isto foi feito, eu creio que isto é uma guerra urbana. Eu como estive numa guerra – embora não participasse nela – em 1972 na Guiné-Bissau -, é uma guerra assim parecida, é uma guerra covarde, é uma guerra que não sabemos de onde ela vem. Não é aquela guerra declarada em que nós vemos o inimigo”, lamentou.

Lúcio Martins Faria promete regressar ao seu palco talvez na próxima quinta-feira, quando as pessoas estiverem “mais bem-dispostas” para tocar e cantar ‘Amália, Carlos do Carmo, Nat Kin Cole, Frank Sinatra’.

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