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‘Fingi estar morta mais de uma hora’. Testemunho de sobrevivente do Bataclan torna-se viral

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Em menos de 24 horas, mais de 1.7 milhões de gostos, mais de meio milhão de partilhas e quase 500 comentários no Facebook. O relato de uma jovem sobrevivente que está a comover a internet
Chama-se Isobel Bowdery, tem 22 anos, e estava no Bataclan quando entraram os homens armados. Sobreviveu porque passou uma hora a fingir estar morta. No Facebook, fez o relato da noite de pesadelo, que ainda não parou de somar “likes” e partilhas nas últimas horas.

“A atmosfera era tão alegre e toda a gente dançava e sorria. Depois quando os homens entraram e começaram aos tiros, nós ingenuamente acreditámos que fazia parte do espetáculo», recorda a jovem.

“Não foi só um ataque terrorista, foi um massacre”, escreve, antes de contar quando, “em choque e sozinha”, fingiu estar morta ao longo de mais de uma hora: “Sustinha a respiração, tentava não me mexer, não chorar.”

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“As imagens daqueles homens a circular entre nós como abutres vão assombrar-me para o resto da vida, A forma como apontaram meticulosamente para as pessoas sem qualquer consideração pela vida humana. Não parecia real”.

Os heróis

No seu testemunho, Isobel Bowdery agradece ainda aos “heróis”: “O homem que me tranquilizou e arriscou a sua vida para tentar tapar-me a cabeça enquanto eu chorava, o casal cujas últmas palavras de amor me fizeram acreditar no bem que há no mundo, o polícia que conseguiu salvar centenas de pessoas, os desconhecidos que me levantaram da estrada e consolaram-me durante os 45 minutos em que acreditei que o rapaz que eu amava estava morto, o homem ferido que confundi com ele e quando percebi que não era Amaury, abraçou-me e disse-me que ia ficar tudo bem, apesar de também ele estar sozinho e assustado, a mulher que abriu as suas portas aos sobreviventes, o amigo que me ofereceu abrigo e foi comprar-me roupa para eu não ter de usar esta blusa ensaguentada, todos os que enviaram mensagens de apoio, mas acima de tudo, as 80 pessoas que foram assassinadas naquele evento, que não tiveram tanta sorte, que não puderam acordar hoje para toda a dor que os seus familiares e amigos atravessam”.

“Enquanto estive deitada no sangue de desconhecidos e à espera da minha bala que pusesse um fim aos meus meros 22 anos, visualizei todos os rostos que alguma vez amei e segredei ‘amo-te’ uma e outra vez”, lembra ainda.

E conclui com uma mensagem: ” As vidas de tantos foram modificadas para sempre e cabe-nos a nós sermos melhores pessoas, viver a vida que as vítimas inocentes desta tragédia sonhavam mas que agora nunca poderão cumprir. Descansem em paz, anjos. Nunca serão esquecidos.”

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