Início Política Novo Governo Coligação da esquerda “sem precedentes”, “histórica”, improvável”, diz imprensa britânica

Coligação da esquerda “sem precedentes”, “histórica”, improvável”, diz imprensa britânica

1068
0

O derrube do Governo PSD/PP pelos partidos de esquerda no parlamento português chegou à imprensa britânica, que, sem ser em primeira página, adjectivou a aliança como “sem precedentes”, “histórica” ou “improvável e faz comparações com a Grécia.

“O moderado Partido Socialista, de centro-esquerda, formou uma aliança sem precedentes com o mais pequeno Partido Comunista e o radical Bloco de Esquerda, ligado ao partido anti-austeridade da Grécia, Syriza, e usaram um voto parlamentar sobre políticas para forçar o Governo a demitir-se na terça-feira”, lê-se no Guardian.

Porém, ao contrário da Grécia, onde o Syriza é o principal partido do Governo, sublinha o diário, os comunistas e os bloquistas só despenharão um papel de apoio.

Publicidade

O Daily Telegraph considera esta aliança “histórica” e antevê um confronto com a União Europeia, porque a posição anti-austeridade dos partidos de esquerda levou a prometer reverter algumas das políticas do Governo de centro-direita de Passos Coelho e de Paulo Portas (cligação PSD/CDS).

“Apesar de ter formalmente saído do programa de assistência, a economia mantém-se sobrecarregada com a maior dívida na Europa. Os seus antigos credores em Bruxelas e o FMI avisaram que o país precisa de continuar um programa rígido de cortes da despesa e aumento de impostos para tapar o buraco nas suas finanças públicas”, refere o diário.

Caso o Presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, seja “forçado a fazer uma inversão de marcha dramática” e indigitar o líder do PS, António Costa, para primeiro-ministro, acrescenta: “Portugal juntar-se-ia à Grécia e tornar-se-ia na segunda economia do sul da zona euro com forças da extrema-esquerda no poder”.

O Daily Mail noticia na sua página de Internet que a “aliança inesperada” da esquerda prometeu aliviar a austeridade.

“A queda do Governo foi uma derrota política para a estratégia de austeridade da zona euro de 19 países, que exigiu reformas económicas a Portugal após o resgate, que foram reflectidas nas políticas rejeitadas”, afirma.

O The Times destaca o papel de Catarina Martins, do BE, que está prestes a desempenhar um papel de protagonista no poder em Portugal, depois de uma carreira de atriz.

A deputada bloquista “formou uma aliança surpresa com os partidos socialista e comunista para afastar o Governo conservador interino de Pedro Passos Coelho, que só ficou no poder 11 dias”.

O jornal também refere os receios manifestados de que a recuperação económica portuguesa seja posta em causa “e alguns receiam que possa ir pelo mesmo caminho que a Grécia, que precisou de três resgates desde 2010”.

Na edição impressa do Financial Times, este cenário é negado por Mário Centeno, o economista que contribuiu para o programa eleitoral do PS e considerado o mais forte candidato a ministro das Finanças.

“Vamos ficar no caminho da consolidação fiscal. Não é a direção que combatemos, mas a velocidade”, vincou, em entrevista ao diário financeiro britânico.

Artigo anteriorGastão Elias bate primeiro cabeça de série em Buenos Aires
Próximo artigo15 anos de prisão para oito polícias acusados de matar taxista

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui