Início Atualidade UGT denuncia em Paris existência de “dois milhões de pobres em Portugal”

UGT denuncia em Paris existência de “dois milhões de pobres em Portugal”

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Carlos Silva, secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), denunciou, hoje, em Paris, a “existência de dois milhões de pobres” em Portugal, muitos deles trabalhadores.

“Temos em Portugal dez milhões de pessoas, dois milhões são pobres. Entre os pobres, há os jovens, os idosos, e também os trabalhadores, pessoas ativas que são pobres porque o salário delas não é um salário decente”, declarou Carlos Silva, defendendo “um salário mínimo em toda a Europa”.

O secretário-geral da UGT falava em conferência de imprensa durante o 13º Congresso da Confederação Europeia de Sindicatos, que começou a 29 de setembro e que termina esta sexta-feira, a 02 de outubro, na Maison de la Mutualité, em Paris.

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“Portugal tem dois milhões de pobres, está com uma dívida pública elevada, está com um défice elevado, para além das nossas expectativas, continuamos com uma alta taxa de desemprego, temos uma emigração tremenda nos últimos quatro anos. Temos de perguntar o que é que nós queremos quando, depois de quatro anos de austeridade, o nosso país está confrontado ainda com situações de tremenda injustiça social”, declarou Carlos Silva à agência Lusa.

A três dias das eleições legislativas, o secretário-geral da UGT considerou que Portugal “se calhar é um case study”, porque “é estranho” que as sondagens denotem “alguma condescendência, alguma complacência com as políticas de austeridade dos últimos quatro anos”.

“Eu não acredito que as pessoas queiram continuar na austeridade. Talvez a mensagem da oposição, nomeadamente do Partido Socialista, não tenha chegado aos cidadãos portugueses da forma como seria desejável. Se calhar é um ‘case study’ e importa perceber qual vai ser a reação dos portugueses no domingo nas urnas”, continuou Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT sublinhou ainda que a mensagem que tem passado no congresso internacional “é a de que estes quatro anos foram fortíssimos na perda de direitos dos portugueses, no recuo civilizacional de um conjunto de conquistas”, como “negociação coletiva, salários, pensões, Estado social”.

Por outro lado, Carlos Silva destacou que Portugal precisa de “mais solidariedade europeia, mais solidariedade institucional e isso também passa pela força que os sindicatos podem fazer junto dos governos dos seus países”.

O 13º Congresso da Confederação Europeia de Sindicatos reúne 500 delegados sindicais, 90 organizações sindicais de 39 países europeus e 10 federações sindicais setoriais europeias.

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