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Prémio Saramago aumenta a expectativa dos leitores – Bruno Vieira Amaral

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Bruno Vieira Amaral, que hoje recebeu o Prémio José Saramago pelo romance “As primeiras coisas”, afirmou hoje que o galardão lhe deu “muita alegria”, que irá aumentar a expectativa dos leitores, “mas não a responsabilidade do escritor”.

O escritor explicou que há dois momentos, um, enquanto escreve, que é “de grande solidão, decisivo”, e um segundo momento, que tem “a ver com a receção crítica, a receção do público e também os prémios”.

“Os prémios dão muita alegria a quem os recebe, mas, por outro lado, não nos ajudam a escrever o próximo; era bom que tornassem mais fácil o processo de escrita, mas aumentará a expectativa das pessoas, mas não a responsabilidade do autor”, disse o laureado.

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Referindo-se à obra distinguida, “As primeiras coisas”, Bruno Vieira Amaral afirmou que “é uma história de verdades, de múltiplas verdades”.

“Eu, a certa altura, percebi que tinha em mãos material que não conseguiria encaixar num romance convencional. Aquilo que me lembrava, ao escrever certas histórias, era daquilo que eu costumava ouvir quando era novo, que eram as `histórias mal contadas`, as pessoas costumavam dizer, `essa história está mal contada`, e eu acho que este livro é um conjunto dessas histórias, dessas histórias a meio, ouvidas ao acaso, que nunca se chega a uma conclusão, portanto é uma história de muitas, de múltiplas verdades, mais do que de liberdade”, afirmou.

Por outro lado, referiu, “é uma história de reconciliação, neste caso do narrador com o meio de onde veio, do bairro onde cresceu, com as pessoas que conheceu e das quais quis fugir e é obrigado a regressar e a confrontar-se com elas e a reconciliar-se com elas”, acrescentou.

Bruno Vieira Amaral, atualmente com 37 anos, começou a escrever as primeiras histórias em 2009, e só o veio a publicar em 2013. Não esteve quatro anos exclusivamente ligado à escrita e, após ter publicado “As primeira coisas”, começou a escrever um outro livro que “é uma investigação sobre um homicídio ocorrido há 30 anos”, tendo entretanto publicado o ensaio “Aleluia”.

O romance “As primeiras coisas”, de Bruno Vieira Amaral, venceu o Prémio José Saramago, instituído pela Fundação Círculo de Leitores, que distingue autores com menos de 35 anos, com obra editada em Língua Portuguesa, no último biénio, e tem o valor pecuniário de 25.000 euros.

Para Manuel Frias Martins, um dos membros do júri, este é um “livro cujo perfil documental e/ou sociológico se casa bem com a malícia contida nos comentários, porque o narrador se torna observador de figuras muito especiais e de circunstâncias muito particulares de um bairro Amélia sem existência física, mas ficcionado como se existisse, de facto, graças a um forte apelo referencial à experiência social do leitor contemporâneo”.

Ana Paula Tavares, por seu turno, destacou a “sereníssima beleza da prosa, o conseguimento do conteúdo, [e] a maturidade estética”.

O júri foi presidido pela editora Guilhermina Gomes e, além da poetisa Ana Paula Tavares, fizeram também parte os escritores Nelida Piñon e António Mega Ferreira e a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río. Por designação de Guilhermina Gomes, conforme o regulamento, o júri contou ainda com Manuel Frias Martins, Nazaré Gomes dos Santos e Paula Cristina Costa, a quem coube “verificar a regularidade da candidatura”, realizar uma primeira leitura, um resumo do livro e “emitir um parecer sobre a obra”.

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