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Monumento aos marinheiros portugueses falecidos em águas canadianas inaugurado hoje

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O monumento de homenagem aos marinheiros portugueses falecidos nas águas canadianas de St. John’s vai ser inaugurado hoje (terça-feira), disse à agência Lusa um dos promotores da iniciativa.

“O monumento chegou, vindo de Portugal, em agosto último, foi transportado pelo navio da marinha ‘Figueira da Foz’, e será inaugurado pelo embaixador de Portugal no Canadá (José Fernando Moreira da Cunha), numa cerimónia que será celebrada pelo Arcebispo de St. John’s”, revelou Jean Pierre Andrieux, escritor e promotor da iniciativa.

St. John’s é a maior cidade da província canadiana da Terra Nova e Lavrador, está localizada no leste da península de Avalon, na ilha da Terra Nova, e tem mais de 212 mil habitantes, segundo dados oficiais de 2014.

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O autor de The White Fleet – A History of Portuguese Handliners, livro que retrata a pesca artesanal do bacalhau por portugueses nas águas da Terra Nova, disse ainda que o monumento será não só destinado aos marinheiros da ‘White Fleet (Frota Branca)’ mas a todos aqueles que perderam a vida em águas canadianas.

“Na ano passado, houve um marinheiro que faleceu no navio Calvão. Há uns anos atrás, um outro navio explodiu e houve várias vítimas”, frisou.

Jean Pierre Andreiux contou que toda esta ideia do monumento teve origem quando o comandante do navio português ‘António Eanes’, através de email, lhe lançou um repto.

“Ele tinha sido desafiado por colegas da marinha a encontrar o túmulo de Dionísio Esteves, um pescador da Frota Branca, para colocarem uma coroa de flores e efetuar o respetivo serviço militar”, explicou.

Dionísio Esteves, natural de Vila Praia de Âncora, foi um dos marinheiros que integrou a tripulação do navio Santa Maria Manuela e faleceu com 26 anos, em 1966, esmagado por uma onde gigante. Tinha-se casado há pouco tempo e deixou a sua mulher grávida.

A White Fleet (Frota Branca) era uma frota de navios de pesca portugueses pintados de cor branca devido à neutralidade de Portugal durante a II Guerra Mundial, que operava naquele período nas águas da Terra Nova à pesca do bacalhau.

Na altura, as sepulturas dos marinheiros mortos não estavam identificadas e os registos que se encontravam numa igreja foram queimados num incêndio.

No entanto, o Conselho Nacional de Cinema do Canadá realizou um documentário em 1966 sobre a Frota Branca, que incluiu o funeral do pescador Dionísio Esteves, o que “permitiu identificar o local exato onde foi sepultado”.

Atualmente, quando atraca um navio da marinha portuguesa no cais em St. John’s, os elementos das embarcações depositam uma coroa de flores na campa de Dionísio Esteves, homenageando os marinheiros falecidos nas águas do Canadá, mas muitos deles nunca serão identificados devido à perda dos registos devido a um incêndio.

O monumento de mármore está localizado no cemitério de Monte Carmel, em St. John’s, junto à campa de Dionísio Esteves.

A inauguração vai realizar-se hoje, às 11:00 horas locais (18:30 no Luxemburgo).

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