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Micólogos alertam, em Vinhais, para o potencial por explorar dos cogumelos

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Micólogos portugueses e espanhóis reúnem-se durante quatro dias, em Vinhais, no Nordeste Transmontano, num encontro ibérico que começa com um alerta para o potencial por explorar da variedade de milhares de espécies de cogumelos existentes na região.

Da alimentação, à ornamentação, medicina ou tinturaria, há uma fileira por explorar, como disse hoje à Lusa Francisco Xavier, um dos micólogos mais conhecidos de Trás-os-Montes e membro do Grupo Micolóxico Galego, que organiza o encontro ibérico, em parceria com entidades locais.

Trata-se de um encontro científico bienal que junta, entre sexta e segunda-feira, 90 especialistas em saídas de campo e recolha de cogumelos seguidas de estudo e identificação para posterior publicação, além de seminários e degustação.

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O trabalho destes micólogos já permitiu identificar “milhares de variedades de cogumelos” na chamada zona de influência climática do Atlântico, que abrange os dois lados da fronteira norte e que é considera das mais importantes da Península Ibérica, em termos micológicos.

“Nós só podemos cuidar, preservar, aproveitar se soubermos aquilo que temos e onde temos”, realçou Francisco Xavier, indicando que do que já se conhece e está devidamente registado “existe um grande potencial”, mas, sobretudo, do lado português, ainda não se avançou para a fase de aproveitar as possibilidades existentes.

Estima-se, seguindo o micólogo, que na zona Norte de Portugal se movimente perto de um milhão de euros anualmente com os cogumelos, porém “num mercado negro, com muito pouca transparência, muito clandestino”.

As florestas são esventradas por pessoas à procura de cogumelos silvestres que se limitam a vender a intermediários espanhóis”

“Há 15 anos que me bato pela valorização deste património silvestre que pode ser aproveitado em benefício das populações”, enfatizou, defendendo que falta iniciativa do Estado e privada também.

O micólogo realçou que “Portugal é o único país que não tem legislação para regulação da apanha”, apesar de há quase uma década, em 2006, ter feito parte de um grupo de trabalho, que incluiu o Ministério da Agricultura, e que elaborou um esboço de decreto-lei para regulamentar a apanha”.

“Ficou pronto quase para publicação e não sei onde para”, afirmou.

As associações como o Grupo Micolóxico Galego “facultam informação gratuita” sobre o potencial que existe e como pode ser aproveitado, porém não têm, seguindo disse, procura por parte de privados para projetos empresariais.

Francisco Xavier garantiu que oportunidades de negócio não faltam entre os milhares de espécies existentes neste território.

Além das espécies para alimentação tradicional, “está-se a descobrir que há cogumelos com propriedades medicinais do novo conceito de alimento nutricêntrico”, uma espécie de suplemento alimentar.

O Instituto Politécnico de Bragança está a desenvolver investigação nesta área e vai dar conta do processo no encontro ibérico de Vinhais.

A tinturaria micológica poderá ser outra frente da fileira de negócio, recuperando uma prática ancestral em que os cogumelos eram utilizados para tintos, que não são contaminantes para o meio ambiente.

A ornamentação e decoração são outras propostas apontadas.

Os estudiosos têm a expectativa de novas descobertas, em Vinhais, já que é considerada uma “das zonas mais ricas” de Trás-os-Montes em cogumelos, e onde existe um Centro Micológico que dá conta da biodiversidade conhecida.

O encontro esgotou a capacidade hoteleira de Vinhais, nomeadamente as 110 camas disponíveis no Parque Biológico, como disse à Lusa Carla Alves, diretora deste espaço que é uma réplica da fauna e flora do Parque Natural de Montesinho, que abrange este concelho e o de Bragança.

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