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Máquina de costura centenária motiva projeto para doar bonecas de pano a crianças

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Oliveira de Azeméis, Aveiro, 11 out (Lusa) – A herança de uma máquina de costura com cerca de 100 anos levou uma empresária de Oliveira de Azeméis a confecionar manualmente dezenas de bonecas de pano para serem doadas no Natal a crianças de uma instituição social.

O projeto “A doll for a smile – Uma boneca por um sorriso” deve-se a Rita Alves, que, tendo herdado uma máquina Singer de pedal em ferro fundido, tratou de a restaurar e decidiu depois utilizá-la na confeção do brinquedo que pretende oferecer a crianças “que precisem do carinho com que as bonecas vão carregadas”.

A instituição que irá beneficiar da oferta ainda não foi selecionada, mas a artesã já tem 20 bonecas prontas e promete aumentar o stock nas horas vagas que lhe forem permitidas pela sua ocupação profissional no ramo da hotelaria – sendo que só aprendeu a costurar em setembro, com recurso a tutoriais do site de vídeos Youtube.

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“Todos os anos tento arranjar tempo para fazer alguma coisa em prol dos outros”, explica Rita Alves à Lusa. “Há dois anos foi um jantar solidário para crianças de uma comissão de menores, o ano passado foi o apoio aos peregrinos para Fátima e, este ano, ao receber a máquina que já foi da minha mãe e da minha avó, tinha que ser qualquer coisa com costura, portanto decidi que iam ser as bonecas”, revela.

A escolha do formato têxtil justifica-se não apenas pela existência da máquina Singer, enquanto instrumento já disponível para assegurar o fabrico das peças, mas também pelas qualidades do próprio material a costurar: “O tecido remete muito para a nossa infância. É mais agradável ao toque, mais caloroso, mais humano”.

Se no início Rita Alves “não sabia sequer como enfiar a linha na máquina”, em dois meses a evolução é evidente e nota-se logo ao nível da organização: rasgou as roupas que os filhos já não usam para essas servirem como vestuário das bonecas; missangas e contas soltas são guardadas para criar olhos; botões, rendas e fitinhas servem para laços no cabelo, bolsas a tiracolo e detalhes decorativos; pedaços de feltro transformam-se em botins; e da lã fazem-se os cabelos.

Cada um desses brinquedos demora em média cinco horas a confecionar e, com enchimento em plumante, tem agora a estatura standard de 40 centímetros, “que é o tamanho mais fácil de manusear e mais ajustado para se abraçar”.

Na escolha do organismo cujas crianças irão receber as bonecas, Rita Alves deverá privilegiar, aliás, “uma associação em que o brinquedo ainda não esteja banalizado”.

“Os meus filhos já são da geração que cresceu com as Barbie e os Action-Man, que são todos em plástico, e as crianças agora têm tal excesso de brinquedos que não criam grande ligação emocional com nenhum”, defende. “Por isso é que eu preferia que cada uma destas bonecas fosse para um local onde pudesse tornar-se realmente a ‘amiga especial’ das suas crianças”, confessa.

A produção do projeto “A Doll for a Smile” pode seguir-se na página de Facebook “Made with love.com”.

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