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‘Halloween’ transmontano chama três mil visitantes a aldeia com 17 moradores

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Uma tradição que abre as Festas de Inverno no Nordeste Transmontano transformou-se num chamariz de curiosos à aldeia de Cidões, em Vinhais, que espera juntar, na noite de sábado, três mil pessoas aos habituais 17 habitantes.

A Festa da Cabra e do Canhoto tem raízes celtas, garantem as gentes de Cidões, mas foi nos últimos anos que ganhou visibilidade com uma associação de pessoas ligadas à terra que decidiu revitalizar as tradições locais e transformar um ritual ancestral num espetáculo capaz de atrair visitantes a esta espécie de “Halloween” transmontano.

A noite de 31 de outubro é animada por deusas e demónios em volta de uma fogueira gigante, que representa o canhoto (tronco de árvore), e revigorada com um repasto à base de cabra que resumem a máxima deste ritual: “Quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de muita sorte vai ter”.

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Esta festa está carregada de simbologia, como refere Luís Castanheira, da organização, “desde logo a despedida da estação clara e a entrada na estação escura, no tempo frio e nas noites longas” A população acredita que através deste ritual “queima na grande fogueira as coisas más, as sombras, o azar”.

A Festa da Cabra e do Canhoto “representa o início do solstício de inverno, do tempo escuro, das trevas, que junta deusas e demónios num ritual único que mais não é do que uma ode à prosperidade”, como descrevem os organizadores. Às 17 pessoas que em permanência residem em Cidões juntam-se outros filhos da terra para organizar o evento que anualmente atrai “mais de 3 mil visitantes”, nesta noite.

A festa começa ao pôr-do-sol e termina de madrugada com os rituais do acendimento da fogueira e confeção e degustação da Cabra Matchorra (velha) no pote, com pão e vinho da terra, num banquete que introduziu novidades para os gostos mais contemporâneos.

A quem a cabra não agradar, pode optar por alheiras, linguiças, presunto, fevras, caldo verde e crepes. O ritual inclui uma bebida espirituosa de confeção local, o Úlhaque, e, entre castanha assada e jeropiga, faz-se a queimada com esconjuro de um druida.

O ambiente é animado com música e danças tradicionais celtas e incluiu ainda a queima do bode gigante e a chegada do carro de bois com as tarraxas bem apertadas para se fazer ouvir.
A festa termina a virar a aldeia do avesso.

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