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Cientistas encontram álcool etílico e açúcar em cometa

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Cometa Lovejoy foi descoberto em 17de agosto de 2014 por Terry Lovejoy em Brisbane, Queensland, Australia.

Um estudo sobre a composição química do cometa Lovejoy forneceram aos cientistas informações que reforçam a teoria da panspermia, de que a vida teria surgido na Terra graças ao impacto de asteróides.

Através da análise espectral da atmosfera do corpo celeste, os investigadores descobriram 21 diferentes moléculas orgânicas, incluindo uma grande quantidade de álcool etílico (o mesmo encontrado em bebidas) e glicolaldeído, um tipo de açúcar.

«Descobrimos que o cometa Lovejoy estava a libertar quantidade equivalente de álcool em pelo menos 500 garrafas de vinho por segundo durante o pico de actividade», disse Nicolas Biver, do Observatório de Paris, em França, e líder do estudo publicado na revista Science Advances.

Cometas são corpos congelados remanescentes da formação do Sistema Solar. Eles interessam aos cientistas por serem relativamente primitivos e podem carregar pistas sobre como o nosso sistema foi formado. A maior parte orbita zonas frígidas, distantes do Sol, mas ocasionalmente, distúrbios gravitacionais enviam-nos para órbitas mais próximas, onde libertam gases por causa do aquecimento, e permitem aos cientistas determinarem a sua composição.

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O cometa Lovejoy é um dos mais brilhantes e activos desde o Hale-Bopp, em 1997. Teve a sua maior aproximação com o Sol no dia 30 de Janeiro, quando libertou água a taxas de 20 toneladas por segundo. Os pesquisadores observaram a atmosfera do cometa nesse período, com o auxílio de um radiotelescópio de 30 metros de diâmetro, instalado no Pico Veleta, em Espanha.

Pela energização das moléculas na atmosfera do cometa provocada pelos raios solares, estas brilham em frequências específicas de micro-ondas. Cada molécula brilha numa frequência específica, como uma assinatura, que permite aos cientistas identificarem a sua composição por espectrómetros no telescópio. A descoberta reforça a teoria da panspermia. Alguns cientistas especulam que um antigo impacto de asteroide com a Terra teria trazido uma carga de moléculas orgânicas, algo como um “fermento” para a origem da vida.

«Definitivamente, os resultados promovem a ideia de que cometas carregam elementos químicos muito complexos», disse Stefanie Milam, do Centro Espacial Goddard, da NASA, e co-autora do estudo. Durante o Intenso Bombardeamento Tardio, cerca de 3,8 mil milhões de anos atrás, quando muitos cometas e asteroides estavam a atingir a Terra e surgiam os nossos primeiros oceanos, a vida não começou apenas como simples moléculas como água, monóxido de carbono e nitrogénio.

Além disso, a vida tinha algo muito mais sofisticado a nível molecular. Estamos a encontrar moléculas com múltiplos átomos de carbono. Agora, podemos ver como os açúcares estão a formar-se, assim como orgânicos mais complexos como aminoácidos, os “tijolinhos” das proteínas, ou nucleotídeos, os “tijolos” do DNA.

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