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Um dia vamos vestir o computador

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Em maio, o mundo ficou a saber que uma equipa internacional, associada à Universidade de Aveiro, criou uma forma de incorporar elétrodos de grafeno transparentes e flexíveis em materiais têxteis. A nova técnica permitirá integrar dispositivos eletrónicos em tecidos, sem comprometer o seu conforto e leveza. Digamos que vamos vestir a tecnologia sem deixar fios à vista… Há já empresas nacionais e estrangeiras interessadas na descoberta.

 

Um dia vais viajar com roupa que inclui GPS e outros dispositivos eletrónicos integrados (alimentados pelo calor do corpo); que assume as inúmeras funcionalidades do computador e te permite estar “ligado” ao mundo. Um dia, a tua camisola vai mudar de cor sempre que quiseres. Isto é uma visão tosca das oportunidades em aberto (quem escreve o artigo não tem horizonte para mais). Sim, é um exercício de futurologia. E sim, o futuro está muito próximo. Neste momento, nestes termos, há quem o esteja a fazer – a partir de Aveiro.

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Helena Alves, investigadora do CICECO – Aveiro Institute of Materials (UA), lidera a equipa de investigação internacional que, em maio, viu a sua descoberta publicada na revista Scientific Reports. Muito sucintamente, a nova técnica permite camuflar em fibras têxteis tradicionais elétrodos de grafeno (um extraordinário condutor eletrónico, descoberto em 2004).

O investimento em têxteis inteligentes não é, aqui, a novidade – a inovação reside na extrema flexibilidade e discrição que resulta do processo. Até agora, as experiências nesta área resultavam em tecidos “pouco confortáveis”, com a tecnologia incorporada “muito visível”; já com esta técnica a fibra “mantém-se idêntica ao olhar e ao toque, mas muda o comportamento elétrico: passa a ser uma fibra condutora, que indexa uma camada de grafeno muito fina” – explica Helena Alves ao PRÉMIO. A exemplo dos aparelhos “touch screen”, as funcionalidades e aplicações desejadas poderão ser manipuladas através de sensores de pressão.

 

A investigação já despertou o interesse de empresas. O registo da Propriedade Intelectual está em curso, a faceta comercial é uma realidade, mas o processo, faz notar Helena Alves, não é trivial. A equipa, que “continua a trabalhar no desenvolvimento de dispositivos mais avançados”, foi já contactada por “várias empresas da área têxtil, portuguesas e estrangeiras, que se querem envolver no projeto”.

Há que investir tempo e recursos para se chegar a um produto final. Sobretudo, há que unir os universos da sociedade. O ritmo de evolução da nova técnica “depende do nível financeiro e do interesse partilhado por empresas e comunidade científica”. Tem de haver, também, “uma grande motivação internacional” – realça a investigadora.

Portugal, nesta dinâmica, pode ter uma atitude precursora. Tudo “depende da abertura das empresas à inovação e ao envolvimento com as universidades”. Existem já bons exemplos, diz Helena Alves, mas há que fazer deles a regra. Neste aspeto, o programa comunitário Horizonte 2020, “muito focado no desenvolvimento tecnológico das empresas, pode ser um excelente incentivo”.

Não será para o ano, mas sim, vamos sentir-nos confortáveis com o computador “vestido”. Até lá, a inovação segue o percurso habitual: antes de alcançarem o mercado do grande consumo, os têxteis eletrónicos de “primeira geração” chegarão a “mercados específicos, na vanguarda do desenvolvimento tecnológico”. Desporto de alta competição, indústria espacial e setores de segurança serão, provavelmente, os primeiros a conhecer a performance de uma técnica que anuncia (r)evolução no vestuário, mas também noutras aplicações têxteis. “É um mundo de ideias e possibilidades”, conclui a investigadora.

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