Início Incêndios REPORTAGEM: Incêndios: Aldeias de Oleiros queixam-se da falta de meios na madrugada

REPORTAGEM: Incêndios: Aldeias de Oleiros queixam-se da falta de meios na madrugada

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Populares durante o incêndio que lavra na aldeia de Rabaças, em Oleiros, Castelo Branco, 14 de setembro de 2020. O incêndio que deflagrou em Proença-a-Nova no domingo e que lavra hoje com intensidade em Oleiros já está próximo do Rio Zêzere, afirmou hoje o presidente da Câmara. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil estão neste momento a combater o incêndio 1063 operacionais no terreno, apoiados por 343 veículos e dezassete meios aéreos. PAULO CUNHA /LUSA

Moradores das aldeias de Milrico, Dão e Várzeas, no concelho de Oleiros, queixaram-se da falta de meios para combater o incêndio que na madrugada de hoje rodeou aquelas localidades, no seguimento do fogo que eclodiu no domingo em Proença-a-Nova.

“Das 06:00 às 12:00 não vi bombeiro nenhum, certamente andavam noutros lados”, lamentou Maria Antunes, de 70 anos, em Milrico, que desde a madrugada, juntamente com outros vizinhos, andou numa “roda-viva” para evitar que as chamas atingissem a sua casa.

Na mesma aldeia, António Mateus, de 66 anos, emigrante em França, teve de recorrer à água de um furo e a mangueiras próprias para combater o fogo, que chegou a 50 metros da sua habitação.

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“Fui eu que apaguei, pois não havia cá ninguém”, enfatizou, salientando que a situação “foi muito má”, devido à localidade ter ficado cercado pelas chamas.

Relativamente próximo, em Dão, as chamas “lamberam” o perímetro da aldeia, mas “o fogo apagou-se por ele”, disse Lúcia Maria Afonso, de 68 anos.

“O povo saiu à rua para livrar as casas”, referiu a mulher, lamentando que nem bombeiros nem meios aéreos tenham sido vistos no combate às chamas na hora mais aflitiva, por volta das 06:00.

Poucos quilómetros à frente, nas Várzeas, Luís Barata também passou a noite sem dormir para salvar a casa dos pais, o que conseguiu, mas não evitou que ardessem uns arrumos e a adega.

Juntamente com o pai, Luís Barata ajudou a que as chamas não provocassem grande destruição na aldeia: “O que nos valeu foi uma viatura dos sapadores da Associação de Produtores Florestais de Alvelos e Muradal, com dois elementos”, salientou à agência Lusa.

Junto à antiga escola primária da aldeia, desativada há muitos anos, Fátima Esteves ainda continuava de vigilância na tarde de hoje, depois de uma noite sem dormir, juntamente com o marido e o filho, para defender casas de família nas Várzeas e em Vale da Horta.

“Foi um terror, nunca vi uma coisa assim”, desabafou a mulher, proprietária de um salão de cabeleireiro em Oleiros, que esteve fechado durante o dia de hoje.

Fátima Esteves lamentou a existência de arvoredo e a falta de limpeza a menos de 50 metros das habitações, o que “tornou a situação num pandemónio”.

Para ter um cenário idêntico ao vivido na madrugada de hoje só recuando a agosto de 1991, quando um incêndio de grandes dimensões rodeou aquelas aldeias e não deixou “um bocadinho verde”.

O fogo que deflagrou em Proença-a-Nova no domingo alastrou aos concelhos de Castelo Branco e Oleiros, sendo neste último município que as atenções da Proteção Civil estavam focadas hoje ao final da manhã.

O incêndio, que queimou quase 2.300 hectares em menos de três horas no seu início, conta com um perímetro de mais de 55 quilómetros, afirmou hoje o Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, referindo que durante a noite e a manhã foi impossível fazer combate direto à cabeça de incêndio.

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