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REPORTAGEM: Covid-19: Emigrantes regressam a Valpaços para umas férias mais recatadas

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Maria do Sameiro e o marido Armelim Sameiro, emigrantes há mais de 40 anos em França, chegaram na quinta-feira à aldeia de Possacos, no concelho do norte do distrito de Vila Real, em Valpaços, Vila Real, 31 de julho de 2020. Por causa do aumento da população nesta altura, o município insiste na sensibilização e no alerta para a adoção de comportamentos adequados para travar a covid-19. (ACOMPANHA TEXTO DE 01 DE AGOSTO DE 2020). PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Os emigrantes regressam este verão a Valpaços para umas férias mais recatadas e, com o aumento da população, o município intensificou as recomendações de segurança através de um “carro de som” que percorre as aldeias.

Maria do Sameiro e o marido Armelim Sameiro, emigrantes há mais de 40 anos em França, chegaram na quinta-feira à aldeia de Possacos, no concelho do norte do distrito de Vila Real.

À agência Lusa, contaram que encontraram um ambiente mais calmo e que veem menos pessoas nas ruas.

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Por causa do aumento da população nesta altura, o município insiste na sensibilização e no alerta para a adoção de comportamentos adequados para travar a covid-19.

A carrinha da Proteção Civil Municipal está percorrer todas as freguesias e dos altifalantes ouve-se a mensagem repetida: “O município de Valpaços apela ao distanciamento social, ao uso da máscara, à lavagem regular das mãos, não corra riscos, faça isso por si e pelos outros”.

“Todas as ações que um autarca pode fazer, ainda assim são poucas” afirmou o presidente da Câmara de Valpaços, Amílcar Almeida.

Este concelho, segundo o autarca, recebe neste período do ano “milhares de pessoas que estão espalhadas pelos quatro cantos do mundo” e, por isso, há um “cuidado acrescido”.

A par do “carro de som”, foram também espalhados cartazes e distribuídos panfletos e os conselhos são também repetidos ‘online’. A mensagem é dirigida a todos, aos mais idosos e jovens que cá vivem e aos que chegam agora.

Depois de um receio inicial de que se verificasse uma grande diminuição de emigrantes neste verão, Amílcar Almeida disse que estão a chegar ao concelho para “visitar a família e amigos e carregar baterias” e que “já são muitos” os que se encontram no território.

“Na dúvida, ainda assim, entenderam regressar à sua terra Natal (…). Fizeram muitíssimo bem, eles são importantes a nível sentimental, mas também a nível económico”, afirmou o autarca.

O convívio é que, apontou, este ano tem de ser diferente e adotando as medidas de segurança. “Confio nos valpacenses, no seu civismo e, acima de tudo, na forma responsável com que eles têm enfrentado esta pandemia”, frisou.

Valpaços registou cinco casos de covid-19 e, desde 05 de maio, não possui nenhum caso em fase ativa da doença.

O verão é sinónimo de reencontros nas aldeias transmontanas, mas num ano marcado por uma pandemia a palavra de ordem é cuidado.

“São umas férias diferentes. Não são igual como antes, mas temos que nos adaptar à nova vida. Temos que fazer cuidado, andar sempre com a máscara, guardar distância”, afirmou Maria do Sameiro.

Deixar de vir a Portugal nunca esteve nos planos do casal, mas a viagem foi feita com “medo” da passagem na fronteira, onde, afinal, não havia qualquer controlo.

António Espírito Santo é emigrante em Paris há cerca de 30 anos e tem uma empresa de limpeza.

Natural de Possacos, regressou para ver a família e os amigos, mas os cumprimentos fazem-se, agora, à distância.

“Mantemos a distância das pessoas, fazemos muito mais cuidado que dantes”, afirmou.

Questionado sobre as diferenças encontradas na aldeia neste verão, António Espírito Santo disse que sente uma maior “apreensão nas pessoas”.

Veio de férias com a mulher e os dois filhos e está em permanente contacto com Paris. Também a sua empresa teve 17 dos 25 funcionários em ‘lay-off’.

O presidente da Junta de Possacos, Fernando Fernandes, disse que os emigrantes este ano estão chegar “mais desfasados” e alguns mais cedo do que o habitual, mas em números “quase idênticos” aos do ano anterior.

À aldeia chegam provenientes da França, Suíça e Bélgica, países onde cumpriram também confinamentos e cuidados de higiene e segurança.

A festa tradicional realizar-se-ia no dia 05 de agosto e, por isso, seria neste primeiro fim de semana do mês que chegariam mais emigrantes.

“Vêm um bocado mais recatados, passam o tempo mais em casa e têm consciência de que têm de evitar os aglomerados”, frisou Fernando Fernandes.

A aldeia possui cerca de 400 residentes e, no verão, a população aumenta para perto dos 700.

A poucos quilómetros de Possacos, na praia fluvial do Rabaçal, juntam-se emigrantes, migrantes e residentes. Os rios estão a ser, este ano, uma das principais opções para o lazer.

Jacinta Castanheira veio com a família de Lagoa, no concelho vizinho de Vila Pouca de Aguiar, onde chegou há uma semana para umas férias mais caseiras e mais curtas do que o habitual.

“É cada um nas suas casinhas e fazemos as férias de roda da casa”, afirmou à Lusa.

Emigrante no Norte de França há 30 anos, Jacinta ficou em casa uns tempos e no regresso à fábrica de óculos onde trabalha teve que cumprir todas as regras de segurança impostas pela covid-19.

Dentro do rio e enquanto aproveitava a água fresca do Rabaçal, um turista francês disse que veio de férias com a mulher que é natural do concelho e encontrou um país “mais calmo” e , na sua opinião, “com menos emigrantes”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 673 mil mortos, incluindo 1.735 em Portugal.

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