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Timor: Governo assegura que polícias não fazem juramentos partidários

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O vice-ministro do Interior timorense assegurou hoje que não há elementos da polícia que tenham feito juramentos ao partido político KHUNTO, uma das forças do Governo, afirmando que os agentes “fazem um único juramento” de servir o Estado.

“Não há pessoas que tenham feito juramento, mas as pessoas gostam de dizer coisas. Isto não é um assunto”, disse António Armindo em declarações aos jornalistas no comando da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) em Díli.

Antonio Armindo, que é do KHUNTO, falava ao lado do comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) depois de participar num encontro de mais de três horas do primeiro-ministro e ministro do Interior, Taur Matan Ruak, com os oficiais superiores da instituição.

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Os comentários surgem na sequência de uma polémica sobre supostas situações em que agentes da PNTL teriam feito juramentos de filiação no Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), o terceiro partido da atual plataforma do Governo.

O assunto, que tem estado a marcar parte do debate nas redes sociais em Timor-Leste – como fotos e vídeos de juramentos – chegou ao debate no plenário do Parlamento Nacional, com o KHUNTO a defender a sua liberdade de poder exigir o juramento.

Deputados de outras bancadas, porém, criticaram que possa haver elementos da polícia a fazer juramento a forças políticas ou até a grupos de artes marciais.

A propósito da polémica, o comandante-geral da PNTL, Faustino da Costa, disse que a instituição terá “tolerância zero” face a qualquer elemento político que faça juramentos a organizações, incluindo grupos de artes marciais e partidos políticos.

“O comando da polícia tem competência para tratar esta questão. E vai aplicar o regulamento da polícia que dá zero tolerância ao envolvimento em artes marciais e partidos políticos”, disse.

Questionado pela Lusa sobre se Governo apoia o comando da PNTL nesta matéria, Antonio Armindo reiterou que a PNTL tem um código disciplinar que pode usar e que a informação que tem sido dada é falsa.

“Os agentes da PNTL fazem um juramento, quando assumem o cargo. O Governo ajudará e apoiará o comandante da polícia. Sim, zero tolerância, mas tem que haver bases em factos, não apenas em rumores”, disse.

Os intervenientes no juramento prestam lealdade ao partido, repetindo uma jura com as cabeças cobertas pelas bandeiras de Timor-Leste e do KHUNTO, segundo fontes ouvidas pela Lusa.

Outras fontes fazem referência a sangue como elemento usado no juramento, aspeto com grande carga simbólica em Timor-Leste, onde os juramentos de sangue são prática tradicional antiga.

À saída do encontro Taur Matan Ruak recusou falar aos jornalistas remetendo declarações para o vice-ministro.

Faustino da Costa, por seu lado, disse aos jornalistas que o encontro se centrou em “três questões essenciais” para o fortalecimento da instituição.

“Foi uma visita para renovar o grande apoio do Governo à PNTL. Foi uma oportunidade para conhecer o comando. Falamos da questão da disciplina, da hierarquia e do sentimento de orgulho de país”, afirmou.

Questionado sobre as carências da PNTL, Faustino da Costa disse que este ano, devido ao regime duodecimal, haverá pouca intervenção nos problemas de fundo que ficarão para 2021.

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