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Covid-19: BPI com mais de 73 mil moratórias de crédito no final de junho

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O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa (E), durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do 1.º semestre de 2020, na Sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, 31 de julho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O Banco BPI tinha aprovado até final do semestre mais de 73 mil pedidos de moratórias no pagamento de créditos, abrangendo créditos no valor de quase 5,7 mil milhões de euros, segundo a informação hoje divulgada pelo banco.

Do total de moratórias, 31,5 mil referem-se a moratórias de crédito à habitação (no valor total de 2,6 mil milhões de euros), 23,8 mil a moratórias de crédito pessoal e financiamento automóvel (no valor total de 373 milhões de euros) e 17,9 mil moratórias de crédito a empresas (no valor de 2,7 mil milhões de euros).

As moratórias de crédito foram criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.

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Em junho, o Governo decidiu estender – de setembro deste ano para 31 de março de 2021 – as moratórias para créditos de empresas e particulares (que suspendem pagamentos de capital e/ou juros) e alargou também as condições em que os clientes poderem aceder às moratórias. Os clientes podem pedir acesso às moratórias até final de setembro.

Há ainda as moratórias privadas, da Associação Portuguesa de Bancos (APB), da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) e da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF). Estas aplicam-se aos contratos de crédito que não beneficiam da moratória pública, caso dos contratos de crédito pessoal (com exceção dos contratos de crédito ao consumo com finalidade educação, uma vez que estes já são cobertos pela moratória pública), crédito automóvel e cartões de crédito.

A agência de ‘rating’ Fitch divulgou um relatório sobre o setor bancário português na quinta-feira, em que estima que os créditos com moratória vão aumentar depois do verão à medida que se adensa a crise económica, sobretudo nas atividades relacionadas com o turismo.

Estas moratórias são um alívio para clientes e bancos, contudo, avisa, parte importante desses créditos serão malparado quando o regime das moratórias terminar.

Os principais bancos têm estado a divulgar os resultados semestrais esta semana. Segundo a informação já conhecida, o BCP indicou que até junho aprovou mais de 120 mil moratórias de pagamento de créditos no âmbito da pandemia de covid-19, sendo 97 mil para famílias e 26,5 mil para empresas, atingindo créditos no valor de quase nove mil milhões de euros.

Já o Santander Totta tinha, em junho, 88 mil clientes com moratórias no pagamento dos empréstimos, abrangendo créditos correspondentes a 22% da carteira de crédito total.

Segundo estimativas do Banco de Portugal, divulgadas em 24 de junho no Relatório de Estabilidade Financeira, as necessidades de liquidez para a amortização regular de capital e juros de empréstimos entre abril deste ano e março de 2021 ascendem a 17,3 mil milhões no caso das empresas e a 12,2 mil milhões de euros no caso de particulares (crédito à habitação e crédito para consumo e outros fins). Ou seja, seria este o valor que empresas e famílias teriam de pagar na totalidade se não houvesse moratórias.

O BPI divulgou hoje lucros de 42,6 milhões de euros no primeiro semestre, menos 68% do que no mesmo período do ano passado, tendo registado 83 milhões de euros em imparidades. Na atividade em Portugal, o lucro foi de 6,5 milhões de euros, menos 92,6% face a período homólogo.

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