Início Comunidades 10 Junho: Pela primeira vez, instituições portuguesas na argentina fazem celebração conjunta

10 Junho: Pela primeira vez, instituições portuguesas na argentina fazem celebração conjunta

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A quarentena argentina, entre as mais prolongadas do mundo, permitirá que, pela primeira vez em mais de 100 anos, as 20 instituições portuguesas espalhadas pelo oitavo mais extenso país possam participar juntas do Dia de Portugal.

A mesma pandemia que levou o governo argentino a impor um isolamento social obrigatório desde 20 de março é o que leva agora os portugueses no país a reunirem-se online para evocar o Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, juntando cem participantes de todas as associações e clubes, separados entre si por centenas e até milhares de quilómetros.

“Este 10 de junho será histórico porque, apesar de esta situação de isolamento ser negativa, podemos encontrar esse lado positivo da conectividade virtual que nos permitirá, pela primeira vez na história da comunidade, participarmos numa celebração conjunta entre as comunidades portuguesas do Norte ao Sul da Argentina”, destaca à Lusa Dulio Moreno, secretário-geral do Conselho das Comunidades Portuguesas da Argentina.

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Paradoxalmente, a pandemia fortaleceu a definição de comunidade e o sentimento de pertencer ao espaço português, levando os mais idosos a abandonarem uma resistência natural perante as novas tecnologias.

“A nossa comunidade é formada, na sua maioria, de idosos e, portanto, grupo de risco. Esta atividade, mesmo que virtual, permite às pessoas sentirem que a comunidade está viva e que quer unir-se a partir da sua identidade portuguesa”, observa Dulio, um dos organizadores e apresentador do evento.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Argentina foi sempre celebrado com uma cerimónia na Praça de Portugal, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires.

A comunidade na Argentina é composta por 21 mil inscritos no Consulado, um número que duplica com os lusodescendentes.

Até agora, apesar da maioria estar em grupo de risco, ninguém foi contagiado nem precisou de auxílio, situação à qual estão atentos os referentes da comunidade e a Embaixada de Portugal que monitora o estado dos seus cidadãos sob instruções do MNE.

A Associação Portuguesa de Oberá, a mais ao Norte do país, fica a mil quilómetros de Buenos Aires. A de Comodoro Rivadavia, a mais ao Sul, fica a 1.730 quilómetros da capital argentina. Entre a de Oberá e a de Comodoro Rivadavia, uma distância de 2740 quilómetros.

“Até agora, só conseguíamos reunir-nos uma vez ao ano, durante o encontro anual das comunidades, mas, desde que começou a quarentena há 82 dias, temos conseguido essas reuniões virtuais com a participação de todos, algo inédito na nossa história”, celebra Dulio.

A instituição portuguesa mais antiga é a Sociedade Portuguesa de Salliqueló, a 540 quilómetros de Buenos Aires, fundada em 1916. A segunda mais antiga é o Clube Português de Buenos Aires, fundado em 1918.

“Vou passar à comunidade uma mensagem de coragem nesta fase em que temos todos de estar unidos. Serão palavras de otimismo e de apoio para ultrapassarmos juntos esta adversidade. Essa força é de uns aos outros, minha para eles e deles para mim. É nos dois sentidos. Estamos juntos neste desafio e é nessa hora que nós portugueses mostramos os nossos verdadeiros valores”, disse, por seu turno, à Lusa o embaixador João Ribeiro de Almeida.

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