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Sporting: Arguido diz ter “fugido em pânico” quando viu Bas Dost em ombros

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Elementos das Guarda nacional republicana, entram na Academia de Alcochete, após cerca de meia centena de indivíduos, de cara tapada, alegadamente adeptos ‘leoninos’, invadiram a Academia de Alcochete e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, assim como o treinador Jorge Jesus, Alcochete, 15 de maio de 2018. MÁRIO CRUZ/LUSA. Fonte da GNR confirmou à Lusa estar a proceder à “identificação presencial de indivíduos que presumivelmente estiveram envolvidos” na ocorrência, recusando confirmar se foram efetuadas detenções no local ou nas imediações.

O arguido Afonso Ferreira admitiu hoje em tribunal ter fugido “em pânico” da academia do Sporting em 15 de maio de 2018, quando viu o futebolista “Bas Dost apoiado nos ombros de duas pessoas”.

“No corredor, antes de entrar para o balneário, vejo o Bas Dost aos ombros de duas pessoas, entrei em pânico e fugi dali. Só queria era sair dali, não foi para aquilo que eu fui lá”, disse o arguido na 33.ª sessão do julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.

Afonso Ferreira, que à data dos factos tinha 19 anos, disse não se lembrar de “ter visto sangue” no corpo do futebolista holandês, atingido na cabeça com um cinto durante a invasão.

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O arguido, que entrou na academia com a cabeça “coberta com uma balaclava [gorro justo que oculta a cara] e em passo de corrida”, disse ter ido a Alcochete para “fazer pressão verbal para ver se os jogadores reagiam”.

“Ia pedir justificações aos jogadores, na Madeira [derrota por 2-1 do Sporting frente ao Marítimo] houve falta de compromisso da parte de alguns jogadores”, disse.

O arguido Miguel Ferrão, também ouvido hoje, admitiu ter chegado ao balneário “depois de passar pelo Bas Dost, que não estava magoado, no corredor”, e ter-se dirigido ao jogador William Carvalho, o primeiro que viu.

“Estavam alguns jogadores, mas o primeiro que vi foi William Carvalho e disse-lhe que não era digno de vestir a camisola do Sporting”, disse, acrescentando: “Depois o Coates falou comigo, estava assustado e perguntou-me o que se estava a passar. Eu disse-lhe que também não percebia o que se estava a passar”.

Admitindo que o uso da balaclava “se calhar, era para criar um impacto maior nos jogadores”, disse ter saído do balneário quando ouviu alguém dizer: “Isto correu mal, vamos embora”.

Durante a manhã, foram também ouvidos os arguidos Paulo Patarra e Jorge Almeida que disse ter ido a Alcochete para “dar uma força aos jogadores para o jogo de domingo [final da Taça de Portugal, com o Desportivo das Aves].

Os quatro arguidos, tal como a maioria dos que já foram ouvidos em sessões anteriores, mostraram-se arrependidos dos seus comportamentos.

O julgamento, que prossegue à tarde com a audição de um arguido e uma testemunha, tem duas sessões agendadas para a próxima semana, nas quais serão ouvidos os arguidos Nuno Mendes ‘Mustafá’, líder da Juventude Leonina, e Bruno de Carvalho, presidente do clube à data dos factos.

O processo da invasão à Academia tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, ‘Mustafá’ e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

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