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Menina de 12 anos morreu após alta na urgência da CUF

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Uma menina de 12 anos morreu a poucos dias do Natal, depois de ter sido atendida duas vezes no hospital privado CUF, em Almada. Já depois de ter alta da urgência, foi chamado o INEM, que levou a criança para o Garcia de Orta, mas Leonor acabou por morrer. Hospital CUF abriu um inquérito interno e retirou a médica em causa das escalas da Urgência.

Num longo testemunho divulgado no Facebook, Alexandra Martinho conta com algum detalhe o caso que começou na última terça-feira antes da interrupção​​​​​ letiva do Natal. Na mensagem, a mãe de Leonor queixa-se do tratamento que teve na segunda visita ao hospital privado e louva o empenho da equipa médica do Hospital Garcia de Orta, em Almada. A CUF diz em comunicado ter aberto uma investigação interna ao caso e que “foi ainda decidido não incluir, temporariamente, a médica em questão na escala de serviços da Clínica CUF Almada, salvaguardando a competência e a experiência de mais de 27 anos que lhe é reconhecida”.

“A Leonor na 3ª feira antes de as aulas terminarem deu um jeito às costas. Ela desdramatizou o caso porque diz que foi a pôr a mochila (que andava sempre extremamente carregada) ao ombro e que tinha sentido apenas uma pontada. Ainda foi à aula de dança e ao almoço queixou-se que lhe estava a doer mais”, começa por explicar a mãe. Como a dor não passava, na quarta-feira foi com a filha à clínica da CUF no Monte da Caparica, onde a menina foi observada, fez análises e foi medicada para um problema muscular, que deveria ter passado em três a cinco dias.

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No sábado seguinte, depois de a medicação não ter obtido resultados e de uma noite mal passada devido às dores, Leonor voltou às urgências do hospital privado, onde lhe foi atribuída a pulseira laranja na triagem. “Fomos atendidas por uma pediatra que nem a camisola lhe mandou tirar. Mandou aplicar-lhe por via intravenosa, a medicação que ela tinha estado a tomar em casa: diazepam, paracetamol e cetorolac. A Leonor adormeceu quando estava a receber o tratamento (estava exausta), mas quando acordou começou novamente a gritar com dores”. Segundo Alexandra Martinho, a equipa médica suspeitou que se tratasse de “uma chamada de atenção” e pediu-lhe que marcasse uma consulta em pedopsiquiatria, já que a medicação era muito forte a menina não “podia estar com tantas dores”. Teve alta, mas não melhorou.

“De sábado para domingo foi a pior noite, a Leonor não parava com dores, nem sequer com medicação, nem no sofá, nem na cama. Medi-lhe a temperatura, tinha 34,7, estava a entrar em hipotermia, quando a fui vestir tinha o corpo com manchas roxas. Chamei o INEM”, que levou a criança “hipotensa e com taquicardia” para o hospital de Almada. Feitos vários exames, a equipa médica detetou sangue no músculo do tórax. “Os médicos iam fazer-lhe uma TAC ao cérebro quando a minha menina entrou em paragem cardíaca. A primeira vez conseguiram reanimá-la, na segunda o coraçãozinho dela não resistiu. Os médicos suspeitavam de uma infeção ou de a Leonor estar a perder sangue”, esclarece a mãe, que revelava, na data da publicação, aguardar os resultados da autópsia. A menina morreu a 22 de dezembro.

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