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Falta de secretários clínicos impede abertura de novas USF

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A falta de secretários clínicos é um dos principais entraves à constituição de novas unidades de saúde familiar (USF), de acordo com o coordenador nacional para a reforma dos cuidados de saúde primários, Henrique Botelho.

“Neste momento temos projetos de candidaturas de unidades de saúde familiar que não avançam porque não têm secretários clínicos. Têm médicos, têm enfermeiros, mas não têm secretários clínicos”, disse Henrique Botelho, que falava à agência Lusa a propósito da divulgação do relatório final da Coordenação Nacional para a Reforma do SNS na área dos Cuidados de Saúde Primários.

Segundo Henrique Botelho, estes profissionais foram saindo e “há anos que não há concursos para secretários clínicos”.

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“Não podemos abrir uma USF com défice de um grupo profissional, porque um dos aspetos fundamentais da USF é serem equipas, trabalharem em equipas e serem avaliados em equipa”, salientou.

Para o coordenador, este trabalho em equipa “é fundamental” porque é nele que reside “grande parte do sucesso destas unidades”.

Os secretários clínicos têm como função, nomeadamente, o atendimento e encaminhamento dos cidadãos, gestão de procedimentos administrativos e participação nos procedimentos referentes à prescrição crónica.

Uma das recomendações da Coordenação para a Reforma do Serviço Nacional de Saúde (CNCSP) no relatório divulgado pelo Ministério da Saúde é a generalização do modelo das USF.

Henrique Botelho questionou porque é que, passados 14 anos, ainda não se generalizou este modelo que já demonstrou ser melhor do que o modelo que substitui, os centros de saúde.

“As USF devem ser o padrão de prestação de cuidados de saúde familiar em Portugal. Fazem mais, fazem melhor e mais barato. Está demonstrado”, sustentou, congratulando-se pelo programa do Governo agora aprovado incluir a universalização deste modelo reformista proposto pela CNCSP.

A CNCSP foi criada pelo anterior Governo, tendo como “duas grandes linhas orientadoras” a “definição e disseminação de políticas de saúde e seu enquadramento estratégico” e a “conceção e desenvolvimento dos instrumentos que permitam a sua operacionalização”.

Fazendo um balanço do trabalho realizado entre dezembro de 2015 e outubro de 2019, Henrique Botelho afirmou que “houve coisas” que acharam que correram bem, outras que “poderiam ter corrido um bocadinho melhor e houve coisas, que felizmente não são assim muitas, que não correram bem”.

“O objetivo da nossa equipa era mudar algumas coisas. Foi isso que o ministro Adalberto Campos Fernandes na altura nos pediu”, disse.

O que se pretendeu foi relançar a reforma dos cuidados de saúde primários iniciada em 2017 pelo então ministro da Saúde Correia de Campos. “Tinha-se percebido que aquela reforma tinha potencial, foi bem recebida pelos profissionais e pelos utentes, mas foi interrompida pelo Governo de Passos Coelho, e aquilo que nos incumbiram foi peguem nesta reforma de 2015 e relancem-na e se possível desenvolvam-na”, recordou à Lusa.

Para Henrique Botelho foi “um projeto interessante” e que não foi difícil porque conheciam o projeto.

“Tornar os cuidados primários mais resolutivos, com a capacidade de fazer mais e melhor, e responder a problemas que até aí não se resolviam na proximidade”, bem como “tentar incluir, e fez-se em parte, a saúde oral, a fisioterapia, a nutrição, a psicologia” nos cuidados de saúde primários eram objetivos traçados.

O método de trabalho utilizado foi fazer alguns projetos-pilotos, monitorizá-los e avaliá-los. “Tem potencial, justifica-se, vamos alargar”, disse o coordenador, esperando que este método continue a ser usado porque apesar de “uma grande parte deste desafio” estar feito, ainda se está longe da finalizar todo o plano desenvolvido.

“O que nos preocupou é que isto fosse transparente, facilmente auditável por qualquer pessoa deste país que quisesse ter acesso ao que se ia fazendo e ao projeto” e “isso foi criado através de um espaço dedicado a esta reforma alocado no portal SNS do Ministério da Saúde”.

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