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Associativismo português na Alemanha diminuiu e precisa de renovação

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O investigador da Universidade de Colónia, Nélson Pereira Pinto, acredita que o associativismo português na Alemanha, que tem vindo a diminuir, precisa de “renovar-se e desenvolver-se”, um desafio para as várias gerações.

“É preciso chamar a atenção dos jovens porque isso é essencial para manter as associações vivas, ou para criar associações. O nosso associativismo também tem muitas perspetivas. Uma delas é juntar-se e colaborar com outras comunidades lusófonas. Outra é chamar a atenção dos alemães. Portugal está na moda e há muitos alemães que também se interessam pela nossa cultura”, revela Nélson Pereira Pinto, em entrevista à agência Lusa.

O estudante de mestrado está a trabalhar na tese “Função, Atividades e Influência da Imigração Portuguesa em Colónia” depois de ter notado a carência de investigações nesse sentido.

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“O facto de não haver muita literatura sobre a comunidade portuguesa na Alemanha dificultou, por um lado, a investigação. Mas, por outro lado, motivou-me durante o meu trabalho porque há uma necessidade enorme de estudar a nossa comunidade neste país”, confessa o português que nasceu na Alemanha.

O aluno do mestrado “Estudos Regionais da América Latina e Ciências Sociais” admite que a maioria dos trabalhadores convidados em Colónia, e no resto da Alemanha, viera de outros países como Turquia ou Itália. Ainda assim, sublinha, “a emigração portuguesa teve um papel forte”.

“Em relação a Colónia, penso que a evolução não foi positiva. O número das associações portuguesas diminuiu. Como o trabalho associativo, é, em geral, um trabalho voluntário, é sempre um desafio manter as associações vivas. É preciso ter (muitos) sócios motivados para a organização de eventos. Hoje, em Colónia, a Missão Católica, a escola portuguesa e a gastronomia portuguesa continuam a ter o papel do ponto de encontro”, refere.

Na Alemanha vivem 140 mil portugueses, mas, apesar do número ser maior do que nos anos de 1970 e 80, “as associações diminuíram”, aponta.

“Isso também tem a ver com o facto de muitos portugueses já estarem bem integrados na sociedade alemã. Além disso, os jovens, principalmente, perderam o interesse pelas atividades tradicionais, como por exemplo, as danças folclóricas”, explica Nélson Pereira Pinto.

O investigador esclarece que “muitos jovens portugueses já não têm os problemas com a língua alemã que tiveram os seus avós”.

“A função de ajuda das associações, que era tão importante para as primeiras gerações de emigrantes portugueses, perdeu relevância para os portugueses que nasceram aqui. Como esta necessidade se alterou, muitas associações tiveram dificuldades em ‘recrutar’ novas pessoas e foram perdendo os seus membros”, frisa.

Combater essa tendência passa por unir forças e “abrir as portas” a pessoas de outras nacionalidades, mas com interesse pela cultura portuguesa.

“Considerar os eventos culturais que organizam os institutos na Universidade de Colónia. Um exemplo é o Zentrum Portuguiesischsprachige Welt (ZPW) e o grupo Teatro ‘Lusotaque’. O ZPW e o grupo de teatro são dois exemplos constituídos não apenas por membros portugueses, mas também por elementos da América Latina, África, Alemanha e de outras partes do mundo”, revela.

Para Nélson Pereira Pinto, “é normal que a ‘sobrevivência’ dos grupos dependa sempre do número de membros e do trabalho” que estes grupos fazem.

“Porém, ‘abrindo as portas’ a todos também é possível cativar mais forças voluntárias. Também podem surgir novas ideias e novos modelos que correspondam às necessidades da nossa comunidade portuguesa e de todos os seus membros”, conclui o investigador português.

O Grupo de Reflexão e Intervenção da Diáspora Portuguesa da Alemanha (GRI-DPA) organiza, a 26 de outubro, em Hagen, uma conferência com o título “Associativismo de Hoje e Amanhã”.

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