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Adeus, Pizol! Suíços fazem funeral em montanha para se despedir de glaciar que derreteu

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Mais de duas centenas de pessoas na Suíça realizaram hoje um funeral simbólico pelo desaparecimento de uma dos glaciares mais estudadas do mundo, o Pizol, como consequência dos efeitos do aquecimento global. A “marcha fúnebre” foi inspirada por uma ação semelhante feita na Islândia, há algumas semanas.

Cerca de 250 pessoas, algumas vestidas de preto, reuniram-se após um trilho de duas horas pelos terrenos onde antes se encontrava o antigo glaciar, localizado na montanha Pizol, que lhe dá o nome, perto de Liechtenstein e da Áustria, a 2.700 metros de altitude.

“Viemos aqui para dizer ‘adeus'” ao Pizol, declarou Matthias Huss, glaciologista da Escola Politécnica Federal de Zurique. O pároco de Mels, a comuna onde o glaciar ficava, pediu  a “ajuda de Deus para superar o enorme desafio das mudanças climáticas”.

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Esta cerimónia ocorre na véspera da cimeira especial da ONU sobre o clima, nesta segunda-feira, em Nova Iorque. Vários chefes de Estado comparecerão para reforçar os seus compromissos em limitar o aquecimento do plano a até 2ºC em relação ao período pré-industrial.

Na Suíça, o glaciar da montanha Pizol “perdeu tanto da sua essência que, do ponto de vista científico, já não é um glaciar”, explicou à AFP Alessandra Degicomi, da Associação Suíça para a Proteção do Clima, uma das ONGs que organizou o velório.

Como o Pizol, outros 4 mil glaciares nos Alpes correm o risco de ter 90% do seu volume derretido até o fim do século, caso nada seja feito para reduzir as emissões dos gases do efeito de estufa, responsável pelo aquecimento global, segundo um estudo da Escola Politécnica Federal de Zurique.

Porém, dado o aquecimento que ocorreu até agora, independentemente dos esforços para reduzir as emissões, os Alpes suíços vão perder pelo menos metade dos seus glaciares até 2050.

Os participantes, entre eles crianças, depositaram flores na montanha. Contudo, não foi instalada nenhuma placa comemorativa – como fizeram os islandeses a 18 de agosto, em memória do Okjökull, o primeiro glaciar da ilha a perder esse estatuto.

“Desde 1850, estimamos que mais de 500 glaciares suíços tenham desaparecido completamente”, dos quais apenas 50 tinham nomes, explicou Huss à AFP dias antes da cerimónia. “O Pizol não é o primeiro. Mas podemos considerar que é o primeiro glaciar suíço a desaparecer que foi muito bem estudado” desde 1893, destacou.

O degelo é incontestável: desde 2006, o Pizol perdeu entre 80% e 90% do seu volume. Só restam 26.000 m² de gelo, “menos do que quatro campos de futebol”, afirmou Huss.

De acordo com a Rede Suíça de Pesquisas Glaciológicas (Glamos), o Pizol pertencia à categoria “glaciar”, mesmo sendo muito pequeno. Localizado a uma altitude relativamente baixa (de 2.630 a 2.780 metros de altitude), dependia da neve acumulada no inverno.

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