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Moçambique: Helicópteros podem começar hoje a voar com ajuda humanitária

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As autoridades moçambicanas esperam hoje uma melhoria das condições meteorológicas para poderem começar a usar helicópteros na distribuição de ajuda a zonas do norte do país de difícil acesso após o ciclone Kenneth.

“Esperamos ter, pelo menos, dois helicópteros que nos possam ajudar a levar carga alimentar para o distrito do Ibo”, ilha no arquipélago das Quirimbas, disse no domingo à noite, em Pemba, a ministra da Administração Estatal e Função, Carmelita Namashulua, um dos membros do Governo destacados para apoiar as ações humanitárias.

A governante falava em Pemba, capital da província atingida pelo ciclone, Cabo Delgado, quase um quadrado com 83 mil quilómetros quadrados, um pouco menos que a área de Portugal Continental

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O arquipélago das Quirimbas situa-se junto à costa.

A ilha do Ibo tem cerca de 15.000 pessoas afetadas, muitas abrigadas na fortaleza da antiga capital da província, depois de 4.600 casas terem ficado parcialmente destruídas na noite de quarta-feira – resultando em duas das cinco mortes registadas até agora por causa do ciclone.

Chegar ao Ibo é um desafio porque a chuva forte danificou sete estradas da província para quais não há alternativas, a maioria das quais em terra batida.

Algumas são as que conduzem aos cais das embarcações que servem a ilha.

Além da ilha do Ibo, os distritos onde é prioritário atuar são os de Quissanga e Macomia, no continente, na mesma faixa central da província de Cabo Delgado atravessada pelo ciclone Kenneth.

Em Macomia estão cerca de metade das 166.804 pessoas afetadas pelo ciclone e também metade das cerca de 35 mil casas destruídas total ou parcialmente.

As hortas de agricultura de subsistência foram muito afetadas nesta área de Moçambique que não tem uma segunda colheita anual e em que a próxima só deverá acontecer em abril de 2020, pelo que o risco de insegurança alimentar aumentou.

Dados oficiais indicam que 31.256 hectares de culturas foram danificados.

Abrigos e produtos para purificação da água são outras prioridades, porque muitas das pessoas afetadas estão a dormir ao relento ou sob chapas e plásticos.

As Nações Unidas vão fazer chegar um avião de carga a Pemba com mais equipamento para apoiar as ações humanitárias, disse Sebastian Rhodes Stampa, dirigente do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA).

Na cidade já se encontra uma equipa de busca e salvamento de bombeiros brasileiros que está pronta a atuar no caso de inundações repentinas deixarem populações isoladas, uma vez que continua a haver ameaça de chuvas fortes nos próximos dias.

Esta equipa ajudou no domingo a transportar cerca de 350 pessoas em bairros inundados em Pemba, bem como na aldeia de Mieze, nos arredores da cidade.

As comunicações móveis e energia ainda não chegam a todas zonas que estavam cobertas antes do ciclone nos distritos afetados e uma parte da cidade de Pemba continua sem energia.

Centro de tratamento de cólera de Pemba começa hoje a ser reativado

O centro de tratamento de cólera de Pemba vai começar hoje a ser reativado, por prevenção, devido às águas estagnadas após a passagem do ciclone Kenneth no Norte de Moçambique, anunciaram as autoridades.

“Com a chuva temos que reativar o centro de trata de cólera. Vamos começar”, referiu António Assane, coordenador da resposta do Estado moçambicano na área da saúde após a tempestade.

O centro já tem funcionado noutros anos na capital da província de Cabo Delgado, região atingida pelo ciclone, dado que a doença surge periodicamente na época das chuvas (de novembro a abril) na província.

Ao mesmo tempo, Moçambique está a trabalhar com parceiros para mobilizar vacinas contra a cólera a administrar nos distritos de Pemba, Mecúfi, Ibo Quissanga e Macomia.

Nos próximos dias deverá chegar também às mesmas zonas um reforço de produtos de purificação de água, o principal meio de transmissão de cólera.

As autoridades de saúde observaram nos últimos dias 340 pessoas que estão em centros de acomodação devido a diversos sintomas e detetaram infeções das vias respiratórias, algumas diarreias e malária.

Ainda no que respeita ao setor da saúde, o ciclone Kenneth afetou 13 centros de saúde e três precisam de intervenção.

Dois hospitais de campanha com maternidade vão ser instalados em Quissanga e Macomia, tendo em conta os estragos aí verificados.

Um camião com ‘kits’ de material para enfrentar diversas doenças foi deslocado da cidade da Beira, atingida pelo ciclone Idai em março, para reforçar o atendimento à população na província de Cabo Delgado.

Os últimos dados oficiais, numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas remotas, indicam que a passagem do ciclone Kenneth no norte de Moçambique na noite de quarta-feira para quinta-feira (24 para 25 de abril) provocou cinco mortos, sendo que as inundações repentinas de domingo em Pemba provocaram três.

Há 166.084 pessoas afetadas e 40 centros de acolhimento a funcionar com 37.696 pessoas, 7.389 das quais em situação vulnerável (tais como grávidas e idosos).

Há danos contabilizados em 192 salas de aula, com 21.717 alunos afetados.

O ciclone Kenneth passou no norte de Moçambique depois de em março a zona centro do país ter sido atingida pelo ciclone Idai que afetou 1,5 milhões de pessoas e provocou 603 mortes.

No último ano, a época das chuvas tinha deixado cerca de mil famílias sem abrigo na província de Cabo Delgado, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique, um problema que é cíclico.

Alguns distritos do extremo nordeste da província têm também sido afetados desde outubro de 2017 por ataques armados de grupos insurgentes.

Os ataques que tiveram origem em grupo recrutados nalgumas mesquitas já mataram, pelo menos, 150 pessoas e têm visado aldeias remotas, longe do asfalto, mas também já vitimaram, em fevereiro, um funcionário dos megaprojetos de gás natural que ali estão a ser construídos.

Juntos por Moçambique prevê angariar 50 mil euros de apoio para vítimas Idai

A comunidade portuguesa de Toronto, no Canadá, prevê atingir o objetivo de angariar 50 mil euros de fundos a favor das vítimas do ciclone Idai em Moçambique.

“O nosso objetivo era alcançar os 50 mil euros. [Pelas estimativas], penso que os vamos alcançar. Esta meta demonstra que fomos realistas com aquilo que contávamos”, afirmou Dario Amaral, coordenador do departamento de português da CHIN Radio.

A iniciativa solidária ‘Juntos por Moçambique’ é uma organização conjunta da CHIN Radio, com a Associação Cultural do Minho, Casa das Beiras de Toronto, Casa dos Poveiros de Toronto, Clube Português de Mississauga, os jornais Sol Português e Voice, e do TNTfx.

A campanha dividiu-se em duas fases, nos dias 10, 11 e 12 de abril, com uma maratona radiofónica, e este domingo, com um megaconcerto que teve lugar no salão do sindicato da construção Liuna Local 183, no norte de Toronto.

“Há uma dinâmica muito boa, porque quando as pessoas acreditam nestas causas, apoiam e a comunidade une-se”, acrescentou Dario Amaral.

Cerca de 300 convidados assistiram à atuação de mais de 20 artistas e músicos comunitários, mostrando que a comunidade portuguesa no Canadá “está unida” por uma causa.

“Nós hoje estamos bem, nunca sabemos quando vamos estar mal. Dar uma ajuda enche-me o coração. Gosto de ajudar por isso decidi participar”, sublinhou a fadista Clara Santos.

Para o músico moçambicano residente em Toronto Jordão Macuacua, “quando há situações catastróficas” tem de haver ajuda mútua.

“Este concerto representa união, porque estamos a ajudar-nos uns aos outros. Estou aqui para participar”, realçou.

Os lucros, cerca de 50 mil euros, vão reverter para a aquisição de máquinas purificadoras de água, a distribuir nas aldeias limítrofes à região da Beira.

“Serão essas as aldeias próximas da Beira a serem beneficiadas, como tinha já tinha sido definido. Esta é uma solução também para o futuro dessas comunidades”, disse Dario Amaral.

“Todos nós, se tivermos sede, nem precisamos de abrir uma garrafa de água, porque a água da torneira é potável”, mas as pessoas em Moçambique “nem água têm para beber”, lamentou por seu lado a presidente da Casa dos Poveiros de Toronto, Linda Correia.

O ciclone Idai atingiu a região centro de Moçambique, o Maláui e o Zimbabué em 14 de março. Em Moçambique provocou 603 mortos, mais de 1.600 feridos, e afetou mais 1,5 milhões de pessoas, segundo as autoridades locais.

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